ASTROS E ESTRELAS

 

         Bette Davis


            A Atriz antes da Fama

Ruth Elizabeth Davis nasceu em Lowell, Massachussets, em 1908. Seus pais se separaram quando ainda era adolescente e ela foi estudar arte dramática em Nova York. Sua estréia na Broadway se deu em 1929. Mas logo a seguir ela se casou e foi para Hollywood, onde a chegada do cinema sonoro demandava atores com experiência de palco.

Contratada pela Warner Bros., ela não demorou a mostrar sua forte personalidade, tanto nas telas quanto nos bastidores. Estabeleceu-se com tipos de mulheres fortes, de personalidade complexa, e mais de uma vez entrou em choque com o chefão Jack L. Warner, exigindo melhores papéis e salários. Em um desses atritos, em 1936, pouco depois de receber seu primeiro Oscar, por "Perigosa", ficou suspensa, sem receber pagamento. Mas ao retornar, foi designada para estrelar o épico sulista "Jezebel", ao lado de Henry Fonda. O papel de Julie valeu-lhe o segundo Oscar. A Academia, aliás, sempre admirou seu trabalho, tendo demonstrado seu apreço com dez indicações e um convite para presidir a instituição, o que ela realmente fez no início da década de 40.

Em 1943, no auge da II Guerra Mundial, ela transformou um galpão em palco de shows beneficentes, batizado de Hollywood Canteen, em que os astros do cinema se apresentavam para soldados americanos, com a renda revertida para o esforço de guerra.

Casada quatro vezes, teve uma filha Barbara Davis - que em 1985 publicou um livro nada elogioso sobre a mãe - e adotou outras duas crianças, Margot e Michael, enquanto estava casada com o ator Gary Merril, que conheceu durante as filmagens de "A malvada", seu filme mais famoso.

No início dos anos 60, sem trabalho e precisando de dinheiro, ela chegou a publicar um anúncio nos principais jornais de Los Angeles, apresentando-se como "atriz desempregada, ganhadora de dois Oscars, com experiência teatral". O diretor Robert Aldrich respondeu ao anúncio e a convidou para estrelar o bizarro "Que terá acontecido a Baby Jane?", em que contracenou com outra superestrela dos anos 30 e 40, Joan Crawford.

O restante de sua carreira seguiu de maneira irregular, quase sempre em papéis sem muito destaque em filmes para a TV. Mas ela jamais deixou de atuar. Seu último grande trabalho foi ao lado da lendária Lillian Gish em "Baleias de agosto", de Lindsay Anderson. A atriz morreu em 1989, pouco depois de sofrer um derrame.

    Filmografia:

·        Bad sister (1931)

·        Hell's house (1932)

·        The dark horse (1932)

·        The menace (1932)

·        The man who played God (1932)

·        The rich are always with us (1932)

·        Cabin in the cotton (1932)

·        Three on a match (1932)

·        20,000 years in Sing Sing (1933)

·        Parachuter jumper (1933)

·        Ex-Lady (1933)

·        The working man (1933)

·        Bureau of missing persons (1933)

·        Fashions of 1934 (1934)

·        The big shakedown (1934)

·        Jimmy the gent (1934)

·        Fog over Frisco (1934)

·        Servidão humana (1934)

·        Bordertown (1935)

·        Front page woman (1935)

·        Special agent (1935)

·        Perigosa (1935)

·        The girl from 10th Avenue (1935)

·        The golden arrow (1936)

·        Floresta petrificada (1936)

·        Satan met a lady (1936)

·        Kid Galahad (1937)

·        Mulheres Marcadas (1937)

·        That certain woman (1937)

·        It's love I'm after (1937)

·        Jezebel (1938)

·        The sisters (1938)

·        Meu reino por um amor (1939)

·        Juarez (1939)

·        Vitória amarga (1939)

·        A velha senhorita (1939)

·        Tudo isto e o céu também (1940)

·        A carta (1940)

·        Pérfida (1941)

·        A grande mentira (1941)

·        The shining victory (1941)

·        A noiva caiu do céu (1941)

·        Satã janta conosco (1941)

·        In this our life (1942)

·        Estranha passageira (1942)

·        Horas de Tormenta (1943)

·        Thank you lucky stars (1943)

·        Uma velha amizade (1943)

·        Mrs. Skeffington (1944)

·        Hollywood Canteen (1944)

·        The corn is green (1945)

·        Deception (1946)

·        Uma vida roubada (1946)

·        Winter meeting (1948)

·        June bride (1948)

·        A filha de satanás (1949)

      A malvada (1950)

·        Another man's poison (1951)

·        Payment on demand (1952)

·        Telefonema de um estranho (1952)

·        A estrela (1952)

·        A rainha virgem (1955)

·        Storm center (1955)

·        A festa de casamento (1956)

·        O estranho caso do conde (1959)

·        Ainda não comecei a lutar (1959)

·        Dama por um dia (1961)

·        Que terá acontecido a Baby Jane? (1962)

·        Telas vazias (1963)

·        Dead ringer (1964)

·        Com a maldade na alma (1964)

·        Where love has gone (1964)

·        A babá (1965)

·        O aniversário (1968)

·        Connecting rooms (1969)

·        Bunny O'Hara (1971)

·        Madame Sin (1972)

·        A juíza (1972)

·        Burnt offerings (1976)

·        O desaparecimento de Aimée (1976)

·        Retorno à montanha encantada (1977)

·        The darkest secret of harvest home (1978)

·        Morte sobre o Nilo (1978)

·        Stranges: the story of mother and daughter (1979)

·        Mamãe branca (1980)

·        Skywards (1980)

·        The watcher on the woods (1981)

·        Family reunion (1981)

·        A piano for Mrs. Cimino (1982)

·        Little Gloria - happy at last (1982)

·        Right of way (1982)

·        Murder with mirrors (1985)

·        As summers die (1986)

·        Baleias de agosto (1987)

·        The wicked stepmother (1989)

 


           Claudette Colbert

Francesa de nascimento, Lily Claudette Cauchoin reinou no cinema americano dos anos 30, em comédias sofisticadas, dramas históricos e melodramas.

Sua carreira começou ainda no cinema mudo e ganhou impulso a partir de 1932 com o épico bíblico "O Sinal da Cruz", em que ela aparecia banhando-se em leite. O filme era dirigido por Cecil B. De Mille, com quem ela voltaria a trabalhar em "Cleópatra", em 1934.

Naquele mesmo ano, ela faria dois de seus maiores sucessos. "Imitação da Vida" e "Aconteceu Naquela Noite". Por este último, que interpretou a contragosto, recebeu o Oscar de Melhor Atriz. "Nunca me senti inteiramente satisfeita com minhas atuações", declarou ela certa vez.

Em 1950, devido a uma queda que a obrigou a fazer repouso forçado, perdeu o papel principal do clássico "A Malvada", que foi para Bette Davis.

Passou seus últimos anos de vida em Barbados, onde vivia em uma bela casa. Morreu em julho de 1995, aos 92 anos.

Filmografia:

·  The big pond (1930)

·  Secrets of a secretary (1931)

·  The man from yesterday (1932)

·  The phantom president (1932)

·  O sinal da cruz (1932)

·  I cover the waterfront (1933)

·  Three cornered moon (1933)

·  Four frightened people (1934)

·  Aconteceu Naquela Noite (1934)

·  Imitação da vida (1934)

·  Cleópatra (1934)

·  The gilded lily (1935)

·  Mundos íntimos (1935)

·  Minha secretária favorita (1935)

·  The bride comes home (1935)

·  Sob duas bandeiras (1936)

·  Maid of Salem (1937)

·  Nobres sem fortuna (1937) < Paris in him met>

·  A oitava esposa do Barba Azul (1938)

·  Zazá (1939)

·  Meia Noite (1939)

·  Tambores Distantes (1939)

·  It's a wonderful world (1939)

·  Boom Town (1940)

·  Levanta-te meu amor (1940)

·  Skylark (1941)

·  Remember the day (1941)

·  The Palm Beach story (1942)

·  So Proudly we hail! (1943)

·  No time for love (1943)

·  Desde que partiste (1944)

·  Pratically yours (1944)

·  Guest wife (1944)

·  Tomorrow is forever (1945)

·  Sem reservas (1946)

·  The secret heart (1946)

·  O ovo e eu (1947)

·  Sleep my love (1948)

·  Family honeymoon (1949)

·  Bride for sale (1949)

·  Three came home (1950)

·  The secret fury (1950)

·  Thunder on the hill (1951)

·  Let's make it legal (1951)

·  Outpost in Malaya (1952)

·  Daughters of destiny (1954)

·  Royal affairs in Versailles (1954)

·  Texas Lady (1956)

·  Um Clarim ao Longe (1964)

·  The two Mrs. Grenvilles (1987)

 


            Greta Garbo

Greta Louisa Gustaffson nasceu em Estocolmo (Suécia) em18 de setembro de 1905. Descoberta pelo talentoso diretor finlandês Mauritz Stiller, ela logo chamou a atenção do expressionista alemão G.W.Pabst, diretor de clássicos como "A Caixa de Pandora", que a levou para filmar na Alemanha. Garbo e Stiller, porém, continuaram amigos e foram juntos para Hollywood em 1925, contratados por Louis B.Mayer, da MGM.

A atriz não obteve sucesso imediato na América. Precisou perder peso para se adaptar aos padrões americanos de beleza e o fotógrafo William Daniels foi destacado para criar uma atmosfera de mistério em torno dela e realçar os traços mais belos de seu rosto.

Mas o que realmente impulsionou o início de sua carreira foram as ardentes cenas de amor com John Gilbert, já um dos maiores astros do cinema silencioso. Os dois estrelaram uma série de filmes entre 1926 e 1928 e realmente se apaixonaram, chegando a decidir pelo casamento. Garbo, porém, não apareceu no dia marcado para a cerimônia, o que deixou Gilbert desesperado e reforçou os rumores sobre a bissexualidade da atriz.

Apesar de seu forte sotaque, ela passou sem problemas pela chegada do cinema sonoro e foi colecionando indicações ao Oscar com sucessos como "A Dama das Camélias" e "Ninotchka", sem jamais ter conquistado o prêmio da Academia.

Em 1941, insatisfeita com os papéis que o estúdio vinha planejando para ela, com o fracasso de "Two Faced Woman", e com a perda cada vez maior da privacidade que tanto prezava, ela decidiu abandonar as telas. Em 1944, chegou a cogitar um retorno, mas, após um romance com o maestro Leopold Stokowski, bastante explorado pela imprensa, recolheu-se a um apartamento em Nova York, onde permaneceu reclusa até sua morte, em 15 de abril de 1990.

      Filmografia:

·        Peter, the tramp (1922)

·        A lenda de Gosta Berling (1923)

·        Rua sem alegria (1925)

·        The Torrent (1926)

·        The Temptress (1925)

·        A carne e o diabo (1926)

·        Love (1927)

·        A Woman of Affais (1928)

·        The Misterious Lady (1928)

·        Mulher Divina (1928)

·        The single standard (1929)

·        Wild Orchids (1929)

·        O beijo (1929)

·        Romance (1930)

·        Anna Christie (1930)

·        Susan Lenox (1931)

·        Inspiration (1931)

·        Mata Hari (1931)

·        Grande Hotel (1932)

·        As you desire me (1932)

·        O Véu Pintado (1934)

·        Anna Karenina (1935)

·        A Dama das Camélias (1936)

·        Madame Walewska (1937)

·        Ninotchka (1939)

     Two-faced Woman (1941)

 


            Humphrey Bogart

Humphrey Bogart morreu em 1957, como escreveu o respeitável crítico André Bazin, de um câncer no esôfago, mais um milhão de doses de uísque que consumiu - no cinema como na vida. Desde então, o mito nunca parou de crescer. Bogart passou a ser a encarnação de um tipo de herói duro e romântico. Casablanca virou um cult total.

Inspirado no filme de Michael Curtiz - e em Bogart -, Woody Allen escreveu a peça Play It Again, Sam, que Herbert Ross transformou em filme, com o próprio Allen. No Brasil, chamou-se Sonhos de Um Sedutor.

Bogart voltou com força no bojo da adoração a um gênero em que ele brilhou: o film noir. Mas não foi para o policial sombrio que Hollywood o encaminhou, no início de sua carreira. Seu verdadeiro nome era Humphrey De Forest Bogart e ele nasceu em Nova York, em 1900, filho de uma pintora e de um cirurgião. Viveu uma adolescência inquieta e turbulenta.

A princípio, pensava seguir a escola de medicina, como o pai, mas foi expulso da Phillips Andover Academy. Tomou parte nos últimos meses da 1ª Guerra Mundial. Terminada a guerra, trabalhou alguns meses num banco, que abandonou para ingressar no teatro.

Em 1920, estreou sem muito sucesso e passou cinco anos interpretando comédias. Uma delas projetou seu nome: graças a Cradle Snatchers foi chamado a Hollywood para ser transformado num novo Clark Gable. A operação não deu certo e se passaram mais oito anos até o seu indiscutível êxito na Broadway como o gângster Duke Mantee em A Floresta Petrificada, que repetiu três anos mais tarde, na versão cinematográfica assinada por Archie Mayo.

Bogart virou então o mais importante vilão de Hollywood, interpretando diversas vezes o papel do antagonista de Edward G. Robinson, James Cagney, George Raft e Paul Muni, entre outros famosos astros da época. Mas seu talento não tardou a se impor a esses personagens, que ele converteu em protótipos do homem rebelde à sociedade, dotados de patética dimensão humana.

Sua sobriedade, feita de admirável sentido da observação, somou-se a uma ironia um tanto fatalista, expressa num sorriso amargurado, que fascinou os espectadores.

Não só eles. Também os diretores. Em 1941, John Huston fez dele o detetive Sam Spade de Relíquia Macabra, que foi como se chamou no Brasil The Maltese Falcon (O Falcão Maltês). Vieram em seguida o Harry Morgan de Uma Aventura na Martinica, de Howard Hawks, e o Philip Marlowe de À Beira do Abismo, também de Hawks. O mito se cristalizou, mesmo quando Bogart tentou fugir do seu personagem interpretando Harry Dobbs e Charlie Allnut para Huston, respectivamente em O Tesouro de Sierra Madre e Uma Aventura na África (pelo segundo, recebeu o Oscar).

Bazin, admirador incondicional, definiu-o como um herói moderno, lúcido, de romântico estoicismo, em cujas mãos o revólver se transformava numa arma quase intelectual. Suas qualidades se depuraram com a passagem à maturidade e à decrepitude: seu estilo interpretativo, feito de alguns poucos gestos essenciais, mais o sorriso misterioso (produzido por uma ferida que lhe impedia de mover o lábio inferior), alcançou o limite extremo de economia aliado à eficiência dramática.

Outro admirador, Robert Lachenay, escreveu que Bogart dava a impressão de se desvanecer ao sorrir. Foi assim com o milionário de Sabrina, de Billy Wilder, o roteirista de Na Solidão da Noite, de Nicholas Ray, e o diretor de cinema de A Condessa Descalça, de Joseph L. Mankiewicz. Ídolo de várias gerações, Bogart não morreu há 40 anos. Entrou para a história.(L.C.M)

      Filmografia:

·        Up the river (1930)

·        Big city blues (1932)

·        Love affair (1932)

·        Three on a match (1932)

·        Midnight (1934)

·        Floresta Petrificada (1936)

·        Bullets or ballots (1936)

·        Two against the world (1936)

·        China clipper (1936)

·        Isle of fury (1936)

·        Black legion (1936)

·        The great O'Malley(1937)

·        Mulheres marcadas (1937)

·        Kid Galahad (1937)

·        San Quentin (1937)

·        Beco sem saída (1937)

·        Stand In(1937)

·        Swing your lady (1938)

·        Escola do crime (1938)

·        Racket Busters (1938)

·        The amazing dr. Clitterhouse (1938)

·        Anjos de cara suja (1938)

·        King of the underworld (1938)

·        The Okhlahoma kid (1939)

·        Vitória amarga (1939)

·        Heróis esquecidos (1939)

·        You can'get away with it (1939)

·        The return of dr. X (1939)

·        Invisible stripes (1939)

·        Virginia City (1940)

·        It all came true (1940)

·        Irmão Orquídea (1940)

·        They drive by night (1940)

·        Último refúgio (1941)

·        The wagons roll at night (1941)

·        Relíquia Macabra (1941)

·        Garras amarelas (1942)

·        All through the night (1942)

·        The big shot (1942)

·        Casablanca (1942)

·        Action in the North Atlantic (1943)

·        Thank you lucky stars (1943)

·        Sahara (1943)

·        Passageiro para Marselha (1944)

·        Uma aventura na Martinica (1944)

·        Conflito (1945)

·        Two guys from Milwaukee (1946)

·        À beira do abismo (1946)

·        Dead reckoning (1947)

·        The two mrs. Carrols (1947)

·        Prisioneiro do passado (1948)

·        O tesouro de Sierra Madre (1948)

·        Knock on any door (1949)

·        Tokyo Joe (1949)

·        Chain lightning (1950)

·        No silêncio da noite (1950)

·        The enforcer (1951)

·        Sirocco (1951)

·        Uma aventura na África (1951)

·        Deadline USA (1952)

·        Battle circus (1953)

·        The love lottery (1953)

·        O diabo riu por último (1954)

·        Sabrina (1954)

·        Revolta em alto mar (1954)

·        A condessa descalça (1954)

·        We're no angels (1955)

·        The left hand of God (1955)

·        Horas de desespero (1955)

·        The harder they fall (1956)

 


            James Stewart

Talvez o ator que melhor tenha personificado os mitos e os valores americanos, James Stewart foi também um dos mais amados pelo público. Seu jeito humano, por vezes tímido e atrapalhado, por vezes idealista e contestador, criou uma identificação com o espectador raras vezes conseguida no cinema.

Favorito de Frank Capra, Alfred Hitchcock e Anthony Mann, cineastas com quem realizou seus grandes sucessos, ele conquistou o Oscar em um papel relativamente pequeno, na comédia Núpcias de Escândalo (Philadelphia Story), de 1940. Segundo boa parte da crítica, foi um prêmio de consolação por ter perdido no ano anterior, quando era considerado favorito com A Mulher faz o Homem (Mr.Smith Goes to Washington).

Versátil, brilhou em comédias malucas, como Do Mundo nada se Leva , de Capra, interpretou tipo mórbidos, como o detetive de Um Corpo que Cai, de Hitchcock, heróis (Terra Bruta) e covardes (O Homem que matou o Facínora).

Nascido James Maintland em Indiana, Pennsilvânia, a 20 de maio de 1908, filho de um próspero comerciante, Stewart foi estudar Arquitetura em Princenton, mas acabou juntando-se à companhia de teatro de Joshua Logan, animado por bem sucedidas experiências como amador. Mudou-se para Nova York com o amigo Henry Fonda, que, ao contrário dele, não conseguia na época um papel sequer, e ali obteve um contrato com a Metro Goldwyn Mayer.

Sempre patriota, foi um dos primeiros atores a partir para o front durante a Segunda Guerra Mundial. Ao voltar, reencontrou o sucesso com A Felicidade não se Compra (foto), que se converteu em um clássico de Natal. Em 1949 casou-se com a socialite Gloria McLean, que seria sua mulher para o resto da vida. Ela era divorciada e já tinha dois filhos, um dos quais morreria na guerra do Vietnã. Eles tiveram mais duas filhas. Em 1990 Stewart foi homenageado no Lincoln Center com o Life Achievement Award. Morreu a 2 de julho de 1997, de parada cardíca.

     Filmografia:

·        Art Trouble (1934)

·        The Murder Man (1935)

·        After the Thin Man (1936)

·        Nasci para Dançar (1936)

·        The Gorgeous Hussy (1936)

·        Next Time We Love (1936)

·        Rose Marie (1936)

·        Garota do Interior (1936)

·        Speed (1936)

·        Wife vs. Secretary (1936)

·        O Último Gângster (1937)

·        Navy Blue and Gold (1937)

·        Sétimo Céu (1937)

·        Of Human Hearts (1938)

·        Anjo Pecador (1938)

·        A Vivaldina (1938)

·      Do Mundo Nada se Leva (1938)

·        Atire a Primeira Pedra (1939)

·        Ice Follies of 1939 (1939)

·        It's a Wonderful World (1939)

·        Made for Each Other (1939)

·        A Mulher faz o Homem (1939)

·        The Mortal Storm (1940)

·        No Time for Comedy (1940)

·        Núpcias de Escândalo (1940)

·        A Loja da Esquina (1940)

·        Come Live with Me (1941)

·        O Pote de Ouro (1941)

·        O Mundo é um Teatro (1941)

·        A Felicidade não se compra (1946)

·        Magic Town (1947)

·        Sublime Devoção (1948)

·        A Miracle can Happen (1948)

·        Festim Diabólico (1948)

·        You Gotta Stay Happy (1948)

·        Malaya (1949)

·        The Stratton Story (1949)

·        A Lança Partida (1950)

·        Meu Amigo Harvey (1950)

·        The Jackpot (1950)

·        Winchester 73 (1950)

·        Estradas do Céu (1951)

·        E o Sangue Semeou a Terra (1952)

·        Carbine Williams (1952)

·        O Maior Espetáculo da Terra (1952)

·        The Naked Spur (1953)

·        Thunder Bay (1953)

·        Música e Lágrimas (1954)

·        Janela Indiscreta (1954)

·        The Far Country (1955)

·        The Man From Laramie (1955)

·        Strategic Air Command (1955)

·        O Homem que Sabia Demais (1956)

·        Night Passage (1957)

·        The Spirit of St.Louis (1957)

·        Um Corpo que Cai (1958)

·        Sortilégios de Amor (1958)

·        Anatomia de um Crime (1959)

·        A História do FBI (1959)

·        The Mountain Road (1960)

·        Terra Bruta (1961)

·        A Conquista do Oeste (1962)

·        O Homem que Matou o Facínora (1962)

·        A Férias do Papai (1962)

·        Take her, She's mine (1963)

·        Crepúsculo de uma Raça (1964)

·        Minha Querida Brigitte (1965)

·        Shenandoah (1965)

·        O Vôo do Fênix (1966)

·        Raça Brava (1966)

·        Bandolero! (1968)

·        Firecreek (1968)

·        Cheyenne (1970)

·        Directed by John Ford (1971)

·        Fool's Parade (1971)

·        Era Uma Vez em Hollywood (1974)

·        O Último Pistoleiro (1976)

·        Aeroporto 77 (1977)

·        O Sono Eterno (1978)

·        A Magia de Lassie (1978)

     Going Hollywood: The War Years (1988)

 


            Kirk Douglas

Issur Danielovitch nasceu em Amsterdam, NovaYork, a 9 de dezembro de 1918, apenas seis anos depois da chegada de seus pais, judeus russos, à América. Ator de estilo arrebatado, interpretou nas telas tipos ao mesmo tempo atléticos e de alta carga emocional.

Sua carreira no cinema não começou cedo: ele já tinha 28 anos quando estreou no policial "The Strange Love of Martha Ivers" (1946), adotando o sobrenome artístico que transmitiria mais tarde aos filhos.

Nesta primeira fase, ele fez bons trabalhos em filmes "noir", então no auge da popularidade. Seu melhor no gênero foi "Fuga ao Passado", de Jacques Tourneur, de 1947, em que contracenava com Robert Mitchum e Lizabeth Scott.

Em 1949 ele impressionou como o boxeador de "The Champion"e recebeu a primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator. Mostrou que podia fazer papéis introspectivos com "Algemas de Cristal", de Tenessee Williams. Em 1952, iniciou uma parce ria de quatro filmes com Vincent Minnelli que lhe ajudaria a conseguir outras duas indicações ao prêmio da Academia - uma por "Assim Estava Escrito" e outra por "Sede de Viver", em que interpretava o pintor Van Gogh. Douglas, porém, nunca foi premiado.

Atuante em movimentos políticos e em atividades filantrópicas ligadas ao mundo do cinema, Kirk Douglas foi co-autor de projetos com o diretor Stanley Kubrick nos quais expressava suas posições pacifistas e democráticas como "Glória Feita de Sangue"e "Sparta cus". Este último marcou o retorno oficial do roteirista Dalton Trumbo ao cinema, após quase dez anos de perseguição pelo maccarthismo.

Aos 78 anos, Kirk Douglas se mantém ativo, mesmo após um acidente de helicóptero há três anos, e filma "Song for David". Pai do ator Michael Douglas, ele tem apenas dois trabalhos de direção (Posse, 1975 e S calawag, 1973).

      Filmografia:

·        The Strange Love of Martha Ivers (1946)

·        I Walk Alone (1947)

·        Fuga ao Passado (1947)

·        Mourning becomes Electra (1947)

·        Minha Querida Secretária (1948)

·        The Walls of Jericho (1949)

·        Quem é o Infiel? (1949)

·        O Campeão (1949)

·        Êxito Fugaz (1950)

·        Algemas de Cristal (1950)

·        Along the Great Divide (1951)

·        A Montanha dos Sete Abutres

·        Chaga de Fogo (1951)

·        The Big Sky (1952)

·        The Big Trees (1952)

·        Assim Estava Escrito (1952)

·        História de Três Amores (1953)

·        The Juggler (1953)

·        Ato de Amor (1953)

·        20.000 Léguas Submarinas (1954)

·        The Racers (1954)

·        Ulisses (1954)

·        Pistoleiro sem Destino (1955)

·        The Indian Fighter (1955)

·        Sede de Viver (1956)

·        Top Secret Affair (1956)

·        Gunfight at OK Corral (1957)

·        Glória Feita de Sangue (1957)

·        Os Vikings (1958)

·        Duelo de Titãs (1959)

·        Discípulo do Diabo (1959)

·        Strangers When We Meet (1960)

·        Spartacus (1960)

·        O Último Pôr do Sol (1961)

·        Cidade sem Compaixão (1961)

·        Lonely are The Brave (1962)

·        Cidade dos Desiludidos (1962)

·        The Hook (1963)

·        A Lista de Adrian Messenger(1963)

·        Por Amor ou Por Dinheiro (1963)

·        Sete Dias em Maio (1964)

·        In Harm's Way (1965)

·        Heróis de Telemark (1965)

·        À Sombra de um Gigante (1965)

·        Paris Está em Chamas? (1966)

·        The Way West (1967)

·        The War Wagon (1967)

·        A Lovely Way to Die (1968)

·        A Irmandade (1968)

·        Movidos pelo Ódio (1969)

·        There Was a Crooked Man (1970)

·        Farol no Fim do Mundo (1971)

·        O Duelo (1971)

·        Catch Me a Spy (1971)

·        The Master Touch (1973)

·        Scalawag (1973)

·        Mousey (1974)

·        Uma Vez só não Basta (1975)

·        Posse (1975)

·        Vitória em Entebbe (1976)

·        O Eleito (1978)

·        A Fúria (1978)

·        Cactus Jack, o Vilão (1979)

·        Home Movies (1979)

·        Saturno 3(1980)

·        The Final Countdown (1980)

·        The Man From Snowy River (1982)

·        Remembrance of Love (1982)

·        Eddie Macon's Run (1983)

·        Draw! (1984)

·        Amos (1985)

·        Os Últimos Durões (1986)

·        Queenie (1987)

·        Minha Filha Quer Casar (1991)

·        Greedy (1994)

 


            Lauren Bacall

Antes de se tornar Lauren Bacall, Betty Jean Perske era uma modelo nascida em Nova York a 16 de setembro de 1924. Diz a lenda que seu caminho para o cinema abriu-se quando, em 1943, a mulher do diretor Howard Hawks a viu na capa de uma edição da Harper's Bazaar e achou que ela seria perfeita para o filme que seu marido estava preparando - Uma aventura na Martinica, baseado em conto de Hemingway.

Hawks confiou no palpite da mulher, e não apenas lançou uma estrela como provocou a reunião de um dos casais mais apaixonados da história do cinema - Bogart e Bacall. A personalidade forte da jovem, sua voz rouca e sensual e suas tiradas inteligentes dobraram o astro durão e os dois permaneceram juntos até a morte dele, em 1957. Depois da viuvez, Bacall namorou Frank Sinatra e foi casada com Jason Robards Jr.

Quase sempre maior que seus personagens ou seus filmes, ela ganhou o apelido de "The Look", graças à expressividade dos seus olhos verdes. Além da vitoriosa carreira no cinema, ela brilhou na Broadway, onde já sessentona emplacou sucessos como Woman of the Year e The song goes on.

Em O espelho tem duas faces, a habitualmente "fominha" Barbra Streisand permitiu que Bacall esbanjasse seu carisma nas melhores cenas, numa homenagem a este mito do cinema. Por seu trabalho no filme, ela foi indicada pela primeira vez ao Oscar, na categoria de coadjuvante. Sua escolha era tida como certa, mas Juliette Binoche (O paciente inglês) acabou vencendo.

      Filmografia:

·        Uma aventura na Martinica (1944)

·        Agente confidencial (1945)

·        Two guys from Milwaukee (1946)

·        À beira do abismo (1946)

·        Prisioneiro do passado (1947)

·        Paixões em fúria (1948)

·        Êxito fugaz (1950)

·        Bright Leaf (1950)

·        Como agarrar um milionário (1953)

·        O mundo é da mulher (1954)

·        Paixões sem freio (1955)

·        Blood Alley (1955)

·        Cinzas ao vento (1956)

·        Teu nome é mulher (1957)

·        Dádiva de amor (1958)

·        Chamas sobre a Índia (1959)

·        Tratamento de choque (1964)

·        Médica, bonita e solteira (1964)

·        Harper, o caçador de aventuras (1966)

·        Assassinato no Orient Express (1974)

·        O último pistoleiro (1976)

·        H.E.A.L.T.H. (1979)

·        O fã, obsessão sinistra (1981)

·        Encontro com a morte (1988)

·        O elétrico Mr. North (1988)

·        Innocent victim (1989)

·        Misery (1990)

·        Star of two (1991)

·        All I want for Christmas (1991)

·        O retrato (1993)

·        Prêt-à-porter (1995)

·        O espelho tem duas faces (1996)

 


            Marcello Mastroianni

Marcello Mastroianni, que morreu em Paris, aos 72 anos, nasceu na Itália, em Fontana Liri, em 28 de setembro de 1924. Tinha 10 anos quando a família se mudou para Roma. Foi estudar na Escola Industrial. Adolescente, começou a se interessar pelo teatro, participando de montagens amadoras. Em 1947, estreou no cinema com Os Miseráveis, que Riccardo Freda realizou baseado no romance de Victor Hugo.

No ano seguinte debutou no teatro, tendo a chance de trabalhar com Luchino Visconti, que o dirigiu numa importante montagem de Shakespeare (Troilo e Créssida). Seus primeiros papéis importantes no cinema foram em filmes de Luciano Emmer: Domingo de Agosto e As Garotas da Praça de Espanha. O segundo consagrou-o como um dos principais galãs no nascente star-system do cinema italiano posterior ao neo-realismo.

Mas ele se consolidou mesmo como um dos temperamentos dramáticos mais sensíveis da sua geração com Crônica dos Pobres Amantes, que Carlo Lizzani adaptou do romance de Vasco Pratolini. Simultaneamente, prosseguiu a carreira no teatro, participando de peças como A Morte de Um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, e Tio Vânia, de Chekhov, todas dirigidas por Visconti.

Foi, porém, com um filme dos mais medíocres que ele iniciou sua carreira internacional: o próprio Mastroianni não tinha orgulho nenhum em lembrar que rodou na Espanha, em 1955, A Princesa das Canárias, de Paolo Moffa. A partir daí, virou um astro europeu. Seguiram-se dois filmes importantes: Noites Brancas, o primeiro sob a direção de Visconti no cinema, e Os Eternos Desconhecidos, de Mario Monicelli, transposição cômica para a Itália do clássico Rififi, de Jules Dassin.

Em 1959, Federico Fellini buscava um ator para o papel de Marcello Rubini, o jornalista de "A Doce Vida". Escolheu Mastroianni - o ator gostava de dizer que isso aconteceu porque ele tinha um rosto "terrivelmente comum". A partir de A Doce Vida, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes, a carreira de Mastroianni explodiu. Ele virou o grande nome do cinema italiano, participando de filmes como "Divórcio à Italiana", de Pietro Germi, que lhe deu o prêmio de melhor ator em Cannes, e "O Belo Antônio", de Mauro Bolognini, com roteiro de Pier Paolo Pasolini adaptado do romance de Vitaliano Brancatti.

A grande fase prosseguiu com "A Noite", de Michelangelo Antonioni, em que ele e Jeanne Moreau expressam o vazio existencial da burguesia, "Oito e Meio", em que, como o cineasta Guido Anselmi, volta a encarnar o alter ego de Federico Fellini, e "Os Companheiros", de Mario Monicelli, em que virou ícone da esquerda interpretando um líder dos primódios da sindicalização italiana.

Sua versatilidade foi provada em papéis cômicos e dramáticos. No total, foram mais de 120 filmes em 49 anos de carreira. Além da associação com Fellini, Mastroianni também se ligou a Vittorio De Sica para outra série talvez menos prestigiada de filmes, mas nem por isso menos importante. Foi os que ele interpretou ao lado de Sophia Loren: Ontem, Hoje e Amanhã, Matrimônio à Italiana e Os Girassóis da Rússia, todos grandes sucessos de público.

Com a bela Sophia, voltou a trabalhar em A Mulher do Padre, dessa vez dirigido por Dino Risi. E já estava beirando os 70 anos quando Robert Altman chamou-o para, de novo com Sophia, parodiar um dos episódios de Ontem, Hoje e Amanhã em Prêt-a-Porter. Seu segundo filme com Visconti é um dos mais discutidos do grande diretor: Mastroianni é Mersault em O Estrangeiro, substituindo Alain Delon, que o cineasta considerava mais adequado para expressar a angústia do personagem de Albert Camus.

Outros grandes papéis de Mastroianni incluem Casanova e a Revolução, de Ettore Scola, Olhos Negros, de Nikhita Mikhalkov, pelo qual foi melhor ator em Cannes, 1987, e O Apicultor e O Passo Suspenso da Cegonha, ambos de Theo Angelopoulos. E não se pode esquecer, mesmo que não seja um de seus melhores papéis, a aventura brasileira de Gabriela, de Bruno Barreto, em que fez dupla com Sonia Braga como a heroína do romance de Jorge Amado.

Atribuíram-lhe casos com praticamente todas as belas mulheres com quem trabalhou. Divertia-o a fama de Don Juan. Seu único casamento foi com Flora Clarabella, mãe de sua filha Bárbara. Catherine Deneuve deu- lhe a outra filha, Chiara, mas os dois nunca se casaram.

Filmografia:

* Com Sophia Loren

·  Os Miseráveis (1947)

·  Sensualitá (1952)

·  Carrossel napolitano (1952)*

·  A casa de Ricordi (1954)

·  Too bad she's bad (1955)*

·  O bígamo (1956)

·  Noites brancas (1957)

·  Feliz por ser mulher (1958)*

·  Eternos desconhecidos (1958)

·  Where the hot wind blows (1958)

·  A noiva do alfaiate (1959)

·  Este momento inesquecível (1959)

·  O Belo Antônio (1960)

·  A Doce Vida (1960)

·  Noites Brancas (1960)

·  Divórcio à italiana (1961)

·  Fantasmas de Roma (1961)

·  A noite (1961)

·  Vida Privada (1962)

·  Ontem, hoje e amanhã(1962)*

·  Oito e Meio (1963)

·  Matrimônio à italiana (1964)*

·  Casanova 70 (1965)

·  A décima vítima (1965)

·  Shoot Louder...I don't understand (1966)

·  Conexão do ópio (1966)

·  O estrangeiro (1967)

·  Kiss the other sheik (1968)

·  The man with the baloons (1968)

·  Um lugar para os amantes (1968)

·  Diamonds for breakfast (1968)

·  Os Girassóis da Rússia (1969)*

·  Príncipe sem Palácio (1970)

·  A mulher do padre (1970)*

·  Ciúme à italiana (1970)

·  Um homem em estado interessante (1971)

·  Roma de Fellini (1972)

·  Que? (1973)

·  A comilança (1973)

·  Massacre em Roma (1973)

·  Salve o artista (1974)

·  The Sunday woman (1976)

·  Nós que nos amávamos tanto (1977)

·  Um dia muito especial (1977)*

·  Esposamante (1977)

·  Ciao, Maschio (1977)

·  O Terraço (1978)

·  Tentação Proibida (1978)

·  A garota do gangster (1979)*

·  A cidade das mulheres (1980)

·  A pele (1981)

·  Casanova e a revolução (1982)

·  Atrás da porta (1982)

·  Gabriela (1983)

·  The last horror film (1984)

·  Henry IV (1984)

·  Macaroni (1985)

·  Ginger e Fred (1986)

·  Olhos Negros (1987)

·  Entrevista (1987)

·  Estamos todos bem (1990)

·  A Fine Romance (1992)

·  Romance de outono (1992)

·  Não quero falar sobre isso agora (1993)

·  Prêt-à-porter (1994)*

·  Páginas da revolução (1995)

·  Três Histórias e um Final (1995)

·  Além das nuvens (1996)

 


            Marlene Dietrich

Quando Louis Malle morreu, no final de 1995, deixou inacabado o projeto de filmar a biografia de Marlene Dietrich. Se fosse fiel ao livro da filha de Marlene, o filme seria barra-pesada. Maria Riva traça um retrato devastador da mãe. Considerado um ato definitivo de desmitificação, o livro Marlene Dietrich retrata a estrela como uma mulher fria e violenta, que transformou a vida da filha num inferno.

O livro foi publicado em 1993, um ano após a morte de Marlene. Ela morreu nonagenária em Paris. Foi, no cinema, a encarnação definitiva da vamp, a devoradora de homens. O escritor Ernest Hemingway, apaixonado por Marlene, escreveu que ela podia derreter um homem com um levantar de sobrancelhas e destruir uma rival com o olhar.

A própria Marlene poliu seu mito numa autobiografia e no livro de pensamentos O ABC de Marlene Dietrich, em que, entre outras coisas curiosas, define vício como "o que as outras pessoas têm".

Marlene nasceu Marie Magdelene von Losch em Berlim, em 1902. O mito surgiu quando ela interpretou a cantora de cabaré que destrói o respeitável professor de O Anjo Azul. O filme de Josef von Sternberg é considerado com justiça um dos grandes clássicos do cinema. Marlene foi chamada a Hollywood, Sternberg foi junto. Ele continuou esculpindo uma personagem sob medida para a atriz, traduzindo na tela aquilo que ela dizia na canção de O Anjo Azul: "Da cabeça aos pés, eu sou feita para o amor."

Para Sternberg, ela foi uma mulher chamada desejo. Para Hollywood, um símbolo de glamour. Interpretou com classe as personagens mais exóticas: ciganas, cafetinas, prostitutas chinesas, cabareteiras. Nunca foi menos que sedutora. Teve grandes amores - com homens e mulheres.

Nos anos 50, começou a trocar o cinema pelo palco, apresentando-se em shows com voz rouca e sensual. Parou com eles ao cair num palco em Sydney, quebrando a perna. As pernas de Marlene: foram tão decantadas em prosa e verso que ela chegou a se revoltar. Entre os seus fãs ardorosos havia um certo Adolf Hitler. Marlene não se deixou enganar por ele e virou ativista do antinazismo. Por causa disso, chegou a ser chamada de traidora da pátria alemã. Teria sujado sua biografia se vivesse sob o signo da suástica.

Filmografia:

·  O anjo azul (1929)

·  Marrocos (1930)

·  Dishounored (1931)

·  A Vênus loira (1932)

·  O Expresso de Xangai (1932)

·  Show of shows (1933)

·  A Imperatriz Galante (1934)

·  Mulher Satânica (1935)

·  Tentação Irresistível (1936)

·  Jardim de Alah (1937)

·  Knight without armour (1937)

·  Anjo (1937)

·  Atire a primeira pedra (1939)

·  A Pecadora (1940)

·  The flame of New Orleans (1941)

·  Aquela Mulher (1941)

·  The Lady is willing (1942)

·  The spoilers (1942)

·  Pittsburgh (1942)

·  Follow the boys (1944)

·  Kismet (1944)

·  Golden Earrings (1947)

·  A Mundana (1947)

·  Jigsaw (1949)

·  Pavor nos Bastidores (1950)

·  No highway in the sky (1951)

·  O diabo feito Mulher (1952)

·  A volta ao mundo em 80 dias (1956)

·  Aconteceu em Monte Carlo (1957)

·  A Marca da Maldade (1958)

·  Testemunha de Acusação (1958)

·  Julgamento em Nuremberg (1961)

·  Quando Paris alucina (1963)

·  Apenas um gigolô (1979)

·  Marlene (1984)

 


           Paul Newman

Ator intelectualizado e um dos mais aplicados discípulos do Actor's Studio de Lee Strasberg, Paul Newman começou no cinema em um drama bíblico do qual se envergonharia pelo resto de sua carreira - O Cálice Sagrado.

Com a morte de James Dean, os produtores viram nele um possível sucessor de James Dean, o que lhe valeu inclusive a herança do papel reservado ao rebelde sem causa em "Um de nós morrerá (The Left Handed Gun).

Em 1958, o ator casou-se com Joanne Woodward, pouco antes de iniciar as filmagens de O Mercador de Almas, que lhe valeria um prêmio de interpretação em Cannes. No mesmo ano, ele faria o difícil papel de Brick em Gata em Teto de Zinco Quente, obtendo sua primeira indicação ao Oscar. Com Joanne, ele viveria uma relação estável e duradoura, embora, como ele mesmo costuma lembrar, ela o tenha mandado "fazer as malas" diversas vezes.

A paixão pelos esportes que marcou sua vida desde cedo certamente foi estimulada pelo fato de seu pai ter sido um próspero comerciante de artigos esportivos em Cleveland, onde Newman nasceu, em 1925. Na idade adulta, Newman dedicou-se principalmente ao automobilismo tendo participado das 500 milhas de Indianapolis como piloto e como ator em Winning.

Dirigir também foi se tornando um desafio atraente para Newman, quase sempre com a preferência por dramas intimistas. Após o primeiro trabalho atraás das câmeras, Rachel, Rachel, de 1968, ele rodou Sometimes a Great Notion (1971), O Preço da Solidão (1972) e Caixa de Sombras, (1990).

Com o amigo Robert Redford, ele protagonizou dois de seus maiores sucessos: Butch Cassidy e Golpe de Mestre. E foi dirigido cinco vezes por Martin Ritt.

Apesar de seu prestígio, nem todos os diretores que o dirigiram foram unânimes nos aplausos. Hitchcock, obcecado pelo planejamento das seqüências de seus filmes, reclamou dos cacoetes à la Actor's Studio do ator, quando eles rodaram Cortina Rasgada: "Ele é incapaz de um olhar neutro, e isso me dificultava a montagem de algumas seqüências", comentou certa vez.

Em 1987, depois de uma longa espera, a Academia de Hollywood finalmente premiou seu trabalho. O filme era A Cor do Dinheiro, de Martin Scorsese. Mas, por não contar mais com a premiação, ele não havia comparecido à cerimônia. "O Oscar chegou para mim como uma mulher que tentei seduzir por 80 anos. Quando finalmente ela me aceitou, já não tinha mais desejo por ela", explicou.

Apesar de ainda considerado, "o mais idoso sex-symbol do cinema", nos últimos anos, Paul Newman vem se dedicando cada vez menos aos filmes e mais à filantropia. Da tragédia que viveu com a morte de seu filho Scott, destruído pelas drogas, no início da década de 80, ele tirou ânimo para financiar entidades para a recuperação de viciados. E também criou a marca de molhos Newman's Own, cujos lucros cada vez maiores são destinados a instituições de caridade.

      Filmografia:

·        O Cálice Sagrado (1954)

·        Deus é meu Juiz (1956)

·        Marcado pela Sarjeta (1956)

·        Until they Say (1957)

·        The Helen Morgan Story (1957)

·        O Mercador de Almas (1958)

·        Um de Nós Morrerá (1958)

·        Rally Round the Flag, Boys! (1958)

·        O Moço de Filadélfia (1959)

·        From the Terrace (1960)

·        Exodus (1960)

·        Desafio à Corrupção (1961)

·        Paris Blues (1961)

·        O Doce Pássaro da Juventude (1962)

·        Aventuras de um Jovem (1962)

·        O Indomado (1963)

·        Amor Daquele Jeito (1964)

·        Criminosos não merecem Prêmio (1963)

·        A Senhora e Seus Maridos (1964)

·        The Outrage (1964)

·        Lady L (1965)

·        Harper, o Caçador de Aventuras (1966)

·        Cortina Rasgada (1966)

·        Hombre (1967)

·        Rebeldia Indomável (1967)

·        A Guerra Secreta de Harry Figg (1968)

·        500 Milhas (1969)

·        Butch Cassidy (1968)

·        WUSA (1970)

·        Uma Lição para não Esquecer (1971)

·        Pocket Money (1972)

·        Roy Bean, o Homem da Lei (1972)

·        O Emissário de Mackintosh (1973)

·        Golpe de Mestre (1973)

·        Inferno na Torre(1974)

·        A Piscina Mortal (1976)

·        A Última Loucura de Mel Brooks (1976)

·        Buffalo Bill (1976)

·        Vale Tudo (1977)

·        Quinteto (1979)

·        O Dia em que o Mundo Acabou (1980)

·        Forte Apache, Inferno no Bronx (1981)

·        Ausência de Malícia (1981)

·        O Veredito (1982)

·        A Cor do Dinheiro (1986)

·        O Princípio do Fim (1989)

·        Blaze, o Escândalo (1989)

·        Mr. & Mrs. Bridge (1990)

·        Na Roda da Fortuna (1994)

·        O Indomável (1995)

                        Uma carta de amor (1998)

 


Robert Mitchum

Mitchum nasceu em Bridgeport, Connecticut, em 1917. Desempenhou vários e pitorescos ofícios antes de transferir-se para a Califórnia, onde virou ator. Sua atuação na série de westerns com Hopalong Cassidy lhe valeu um contrato na empresa RKO. Em 1945, interpretou seu primeiro papel importante no drama de guerra Também Somos Seres Humanos, de William A. Wellman.

Durante muito tempo os críticos implicaram com ele, considerando-o inexpressivo. Na verdade, seu rosto impenetrável era daqueles em que se podia vislumbrar certa tristeza, quando não cinismo. Com o tempo Mitchum transformou-se em símbolo do herói moderno, nobre, mas desencantado, que assume conscientemente, até mesmo com humor, seu destino trágico. Foi assim que apareceu em Fuga ao Passado, clássico noir de Jacques Tourneur, e Paixão de Bravo, de Nicholas Ray.

Capaz de impor uma presença inquietante na tela, encarnou personagens que podem ser definidos como a imagem negativa do herói, verdadeiras encarnações do mal. Os mais marcantes foram o pastor sádico de O Mensageiro do Diabo, de Charles Laughton, e o ex-presidiário que tenta vingar-se do advogado que o mandou para a cadeia em Círculo do Medo, de J. Lee Thompson, refilmado como Cabo do Medo, por Martin Scorsese.

Morreu de câncer no pulmão a 1 de julho de 1997.

      Filmografia:

·        The Leather Burners (debut)

      ·        Hoppy Serves a Writ (1942)

      ·        Border Patrol (1942)

      ·        Follow the Band (1942)

      ·        Colt Comrades (1942)

      ·        A Comédia Humana (1942)

·        We've Never Been Licked (1942)

·        Beyond the Last Frontier (1942)

·        Bar 20 (1942)

·        Doughboys in Ireland (1942)

·        Corvette K-225 (1942)

·        Aerial Gunner (1942)

·        Lone Star Trail (1942)

·        False Colors (1942)

·        Mestres de Baile (1942)

·        Riders of the Deadline (1942)

·        Cry Havoc (1942)

·        Gung Ho! (1942)

·        Minesweepers (1943)

·        Mr. Winkle Goes to War, (1943)

·        Johnny Doesn't Live Here Anymore (1943)

·        When Strangers Marry (1943)

·        The Girl Rush (1944)

·        Trinta Segundos sobre Tóquio (1943)

·        Nevada (1944)

·        West of the Pecos (1944)

·        The Story of G.I. Joe (1945)

·        Till the End of Time (1945)

·        Correntes Ocultas (1946)

·        Locket (1946)

·        Pursued (1946)

·        Rancor (1946)

·        Desire Me (1946)

·        Figa ao Passado (1947)

·        Rachel and the Stranger (1947)

·        Sangue na Lua (1948)

·        O Pônei Vermelho (1949)

·        The Big Steal (1949)

·        Holiday Affair (1949)

·        Where Danger Lives (1950)

·        My Forbidden Past (1950)

·        His Kind of Woman (1951)

·        The Racket (1951)

·        Macau (1952)

·        One Minute to Zero (1952)

·        The Lusty Men (1952)

·        Second Chance (1952)

·        Angel Face (1952)

·        White Witch Doctor (1953)

·        She Couldn't Say No (1954)

·        O Rio das Almas Perdidas (1954)

·        Track of the Cat (1954)

·        Não serás um Estranho (1955)

·        Mensageiro do Diabo (1955)

·        Man With the Gun (1955)

·        Foreign Intrigue (1956)

·        Bandido (1956)

·        O Céu é Testemunha (1957)

·        Fire Down Below (1957)

·        The Enemy Below (1957)

·        Thunder Road (1957)

·        The Hunters (1958)

·        The Angry Hills (1958)

·        The Wonderful Country (1958)

·        Home From the Hill (1959)

·        The Sundowners (1960)

·        The Night Fighters (1960)

·        Do Outro Lado, o Pecado (1960)

·        The Last Time I Saw Archie (1961)

·        O Círculo do Medo (1961)

·        O Mais Longo dos Dias (1962)

·        Dois na Gangorra (1962)

·        A Lista de Adrian Messenger (1963)

·        Rampage (1963)

·        Man in the Middle (1963)

·        A Senhora e seus Maridos (1964)

·        Mister Moses (1965)

·        The Way West (1966)

·        El Dorado (1967)

·        Villa Rides (1967)

·        A Batalha de Anzio (1968)

·        5 Card Stud (1968)

·        Cerimônia Secreta (1968)

·        Young Billy Young (1968)

·        The Good Guys and the Bad Guys (1969)

·        A Filha de Ryan (1970)

·        Going Home (1971)

·        The Wrath of God (1972)

·        Os Amigos de Eddie Coyle (1973)

·        The Yakuza (1973)

·        Adeus, Minha Querida (1975)

·        A Batalha de Midway (1976)

·        O Último Magnata (1976)

·        The Amsterdam Kill (1977)

·        Matilda (1977)

·        The Big Sleep (1978)

·        Breakthrough (Ger.) (1979)

·        Nightkill (1980)

·        Agency (Can.) (1981)

·        That Championship Season (1982)

·        O Embaixador (1983)

·        Os Amantes de Maria (1985)

·        Thompson's Last Run (1986)

·        O Elétrico Mr. North (1987),

·        Scrooged (1988)

·        John Huston: The Man, the Movies, The Maverick (narrator) (1988)

·        Brotherhood of the Rose (1989)

·        Cabo do Medo (1991)

·        Tombstone (1993)

·        Woman of Desire (1994)

·        Midnight Ride (1994)

·        Back Fire! (1995)

                       Dead Man (1996)

 

 

Biografia de Charles Spencer Chaplin

 

À Sombra de Dickens

            Charles Spencer Chaplin nasceu no dia 16 de abril de 1889 às 20 horas, em um subúrbio de Londres. Sua mãe, Lili Harley, era atriz de comédia. Seu pai, também artista do music-hall, abandonou a família quando Charles ainda era pequeno. Um grave problema de laringite acabou com a carreira da jovem Lili Harley, obrigando Charles Chaplin a debutar artisticamente com apenas cinco anos de idade.

Lili Harley, mãe de Chaplin

            O teatro, muito freqüentado por soldados, não era propriamente um local “seletivo”, mas foi onde o pequeno Chaplin pôde demonstrar pela primeira vez o seu grande talento para a interpretação.

            Os primeiros anos da vida de Chaplin se passaram em orfanatos, e foi neles onde Chaplin encontrou todos os elementos que utilizaria mais tarde nos roteiros dos filmes que dirigiu e interpretou. Essa primeira etapa da sua vida não tinha o humor nem a ironia com a qual o cineasta sensibilizou o público do mundo inteiro. Felizmente, Chaplin acabou construindo a sua vida com a única coisa positiva que poderia ter herdado da sua família: a paixão pelo teatro. Graças a seu pai, comemorou o seu oitavo aniversário contratado por uma companhia de bailarinos chamada Eight Lancashire Lads. Pouco depois, a morte de seu pai e a internação da sua mãe em um sanatório marcariam a vida de Chaplin profundamente. Nessa época assinou seu primeiro contrato estável como ator, interpretando um mensageiro em uma versão de Sherlock Holmes. Com esse trabalho, melhorou sua situação financeira. Nesse mesmo ano conseguiu um emprego no Circo Casey, onde pôde desenvolver as suas habilidades cômicas. Já na primeira apresentação, conseguiu arrancar sonoras gargalhadas do público pela maneira desesperada com a qual recolhia as moedas atiradas à arena.

O adolescente Chaplin conseguiu um lugar na companhia do acrobata Fred Karno, apresentado por seu irmão Sidney. Karno, que fazia sucesso com espetáculos de mímica, chegou a ter cinco companhias, apresentando-se em todas simultaneamente. Chaplin rapidamente superou o artista Harry Weldon, com quem dividia o número e, em 1909, teve a sua primeira temporada em Paris.

 

A Cidade Mágica O então ator Charles Chaplin em início de carreira

 

            Chegando em Paris, conheceu os favores das prostitutas, e a cidade onde os irmãos Lumiére, George Méliés e Max Linder fizeram nascer a magia do cinematógrafo. Anos mais tarde, Max Linder diria: “Chaplin teve a gentileza de me confessar que os meus filmes o levaram a fazer os seus próprios filmes. Chamou-me de mestre, mas fui eu que tive o prazer de aprender com ele”. Naquela época, o mundo das imagens animadas ainda lutava para conseguir uma linguagem própria e um reconhecimento social.

            Depois de outra turnê pelo norte da Inglaterra, Karno ascendeu Chaplin a primeiro ator das representações que a companhia faria nos Estados Unidos, em 1910. Toronto e Nova Iorque foram as primeiras paradas desta turnê, antes de prosseguir para o oeste. A Broadway não assimilou o humor inglês, mas Chaplin chamou a atenção de alguns jornais e de um jovem espectador, que nessa época trabalhava para o cinema; era Mack Sennett, que voltaria a encontrar Chaplin dois anos mais tarde, em uma nova turnê pelos Estados Unidos.

 

O Nascimento do “Tramp” Charles Chaplin em um de seus primeiros filmes de sucesso: "O Garoto"

 

            Enquanto estava na Filadélfia, em 1913, Chaplin recebeu um telegrama pedindo-lhe que fosse até um escritório no centro da Broadway. Ali funcionava a sede da Keystone Comedy Film Company, onde lhe ofereceram um salário de 150 dólares para que fizesse três filmes por semana. Depois de algumas negociações, Chaplin acabou aceitando o trabalho e, ao chegar em Los Angeles, reencontrou Mack Sennett, que seria seu novo chefe.

            Chaplin dividiu camarim com estrelas da casa, como Ford Sterling, Roscoe Arbuckle e Mabel Normand. No início, Chaplin teve que se adaptar ao estilo de Sennett, com perseguições policiais e exibições de insinuantes banhistas. O seu primeiro filme, estreado em fevereiro de 1914, mostrava as aventuras de um personagem cômico na redação de um jornal. Em seu segundo filme,  Corrida de automóveis para meninos (1914), criou um personagem que logo seria identificado pelo público. Sennett pediu-lhe que se vestisse de maneira engraçada. “Pensei que poderia usar umas calças muito grandes e uns sapatos enormes, além de uma bengala e um chapéu coco. Queria que tudo fosse contraditório: as calças folgadas, o paletó apertado, o chapéu pequeno e os sapatos enormes. Não sabia se deveria parecer velho ou jovem, mas quando me lembrei que Sennett tinha pensado que eu era bem mais velho, coloquei um bigodinho que me daria alguns anos sem esconder a minha expressão”. Assim nasceu o famoso “Tramp” (que os povos dos países de idioma espanhol passaram a chamar de “Carlitos”). As disputas com outros diretores e a ambição dificultaram sua relação com a Keystone, depois de ter filmado 35 longas-metragens em apenas um ano. Não foi difícil conseguir, em 1915, um contrato com a Essanay, a produtora que tinha por estrela principal Gilbert M. Anderson, o famoso Bronco Billy dos primeiros filmes western. A partir desse contrato, Chaplin começou a ganhar 1.250 dólares por semana e uma bonificação extra de 10.000 dólares, com a qual formou uma equipe bastante competente, consolidando uma técnica e um estilo próprios.

            Insatisfeito com os estúdios da Essanay em Chicago e em São Francisco, instalou-se em Los Angeles. Desde o primeiro dos quinze filmes que realizou para essa produtora, teve a colaboração de Rollie Totheroth, seu fiel câmera durante sua carreira nos Estados Unidos. Contratou Edna Purviance como primeira atriz dos filmes que realizaria nos próximos quinze anos , logo após ter começado a dirigir, percebeu “que o posicionamento da câmera não era apenas uma questão psicológica, ms também constituía a articulação da cena; na verdade, era a base do estilo cinematográfico”. O sucesso de Chaplin foi consolidado pelo contrato com a Mutual em 1916. Em troca de 10.000 dólares semanais e de uma bonificação inicial de 150.000 dólares, Chaplin comprometeu-se a entregar doze curtas-metragens de duas bobinas, dentre os quais estão algumas das sus primeiras obras-primas: “No Armazém” (1916), “Rua da paz” (1917), “O balneário” (1917), “O emigrante” (1917). A produtora colocou um novo estúdio à sua disposição, o Lone Star, e o cineasta pôde trabalhar com liberdade, rodeado por uma equipe de fiéis colaboradores como os atores Eric Campbell, Henry Bergman, Albert Austin e Edna Purviance.

            A respeito de seu envolvimento com Edna Purviance, o próprio Chaplin reconheceu na sua autobiografia: “Como Balzac, que achava que uma noite dedicada ao sexo significava a perda de uma página de algum dos seus romances, eu também achava que seria perder um ótimo dia de trabalho nos estúdios”.

 

Armas em punho "Ombro, armas!"

 

            Quando os Estados Unidos decidiram entrar na Primeira Guerra Mundial, em 1917, Chaplin utilizou a sua popularidade para vender bônus de guerra com Mary Pickford e Douglas Fairbanks. Dessa experiência surgiram dois filmes: The Bond e Nas Trincheiras (1918), uma paródia do exército. Apesar do compromisso com a Cia. First National, o cineasta se uniu a Fairbanks, Pickford e ao realizador David Grifith para criarem juntos a companhia United Artists. A primeira intenção era romper o monopólio de Hollywood, mas Chaplin só pôde começar a dedicar-se à United Artists depois de rodar nove filmes que havia prometido à First National. Entre eles, rodou Vida de Cachorro (1918), Os Clássicos Vadios (1921),  O Peregrino (1923) e  O Garoto (1921). Essa obra-prima de seis rolos contou com a participação do pequeno Jackie Coogan e teve que ser montada longe do domínio dos diretores do estúdio. Nessa mesma época, Chaplin, que já era um cineasta, casou-se com a atriz Mildred Harris, em outubro de 1918, quando ela tinha apenas dezessete anos, tiveram um filho que morreu logo depois de ter nascido, e o casamento durou pouco. Em setembro de 1921, oito anos depois da sua chegada aos Estados Unidos e quando ainda não tinha concluído o seu contrato com a First National, Chaplin decidiu viajar à Europa. A sua passagem por Paris e Londres foi memorável. Durante essa viagem, conheceu várias personalidades do mundo da cultura e escreveu um livro, My Trip Abroad, baseado nessa experiência.

 

As Mulheres e o Cinema

            Edna Purviance deveria ter interpretado o papel de Josefina no filme sobre o imperador francês, mas, nesse momento, outras mulheres surgiram na vida de Chaplin. A primeira foi a sua própria mãe, que se mudou de Londres para uma casa na costa da Califórnia, onde o seu filho a instalou sob os cuidados de uma enfermeira. Nessa casa, a velha atriz assistiu com grande orgulho todos os filmes de Chaplin, até morrer, em 1928, durante a filmagem de O Circo, filme com que Chaplin ganhou o seu primeiro Oscar. A segunda destas mulheres, com a qual Chaplin teve uma relação muito agitada foi Peggy Hopkins Joyce, dona de uma conta bancária de três milhões de dólares. Ela contava histórias sobre as suas relações sentimentais, como a de um jovem que se suicidou por sua causa em Paris. Chaplin não deixou nenhuma dessas histórias escapara e inspirou-se nelas para o filme  A Opinião Pública (1923), sua estréia definitiva na United Artists, que curiosamente não contou com a presença do “Tramp”.

            Chaplin também tinha conhecido Pola Negri, quando a atriz alemã estreou em Hollywood. A relação de Pola Negri com Chaplin foi um escândalo alimentado pela imprensa sensacionalista, com manchetes que anunciavam um casamento que nunca chegou a ocorrer. A aventura foi rapidamente superada pela chegada de uma jovem admiradora mexicana, que vestiu o pijama de Chaplin, meteu-se na sua cama e depois tentou envenenar-se diante da porta da sua casa.

            Porém Chaplin acabou sucumbindo aos encantos de Lita Grey. Lita, ainda adolescente, conseguiu ser escolhida para protagonizar a primeira comédia de Chaplin para a United Artists, o longa-metragem Em Busca do Ouro (1925). Durante as filmagens, Lita demonstrou sintomas de gravidez, e o cineasta, que sabia que manter relações sexuais com uma menor era um delito, resolveu casar-se rapidamente com ela. Em junho de 1925, nasceu Charles Chaplin Jr. e, nove meses mais tarde, o segundo filho, Sidney Earle. Mas a relação entre o casal deteriorou-se e o divórcio foi anunciado em agosto de 1927. Nas suas memórias, Chaplin guarda um prudente silêncio sobre esse casamento, alegando que “como temos dois filhos que amo muito, não entrarei em detalhes”.

            A única satisfação desse casamento infeliz foi a substituição da sua esposa por Geórgia Hale como protagonista de Em Busca do Ouro. Durante as filmagens, Chaplin conheceu a atriz Marion Davies, amante do magnata William Randolph Hearst e anfitriã de festas memoráveis na sua mansão de San Simeón. Um outro importante produtor que esteve em contato com Chaplin foi Josef Von Sernberg. Ele produziu um filme intitulado The Seagull, baseado em um relato do próprio Chaplin sobre os pescadores da costa californiana. Edna Purviance e Eve Sothern eram as protagonistas, mas o produtor ficou insatisfeito com o resultado, retirando o filme de circulação e destruindo-o antes de ter estreado.

            Chaplin dirigia, depois, O Circo, mas a liberdade de que tinha gozo até então parecia estar com os dias contados. Em 1927, enquanto Chaplin recebia o cientista Albert Einstein na sua mansão e emprestava a sua quadra de tênis para o produtor soviético Serguei Eisenstein relaxar, o produtor Joseph M. Schenk assumiu a presidência da United Artists. O maior problema foi a aparição do cinema sonoro. A partir da estréia do filme O cantor de Jazz, em outubro de 1927, o cinema começou a incorporar o som. Chaplin começou as filmagens de Luzes da Cidade (1928) e percebeu que o cinema mudo tinha seus dias contados. Apesar disso, não admitia que o “Tramp” falasse e, depois de interromper as filmagens por algumas semanas, decidiu tomar partido por seu personagem e opor-se totalmente ao cinema sonoro. Em uma entrevista para a revista Motion Pictures Herald, declarou: “Detesto os talkies. Eles chegaram para destruir a arte mais antiga do mundo, a arte da mímica.Derrubam o edifício atual do cinema. A beleza plástica continua sendo a coisa mais importante do cinema. O cinema é uma arte pictórica”. Ao contrário de Eisenstein, que conseguiu adaptar o som à sua revolucionária concepção de montagem, a partir do Manifesto do Contraponto Orquestral, de 1930, Chaplin foi ainda mais reacionário. Ao retomar as filmagens de As Luzes da Cidade, decidiu que o seu filme incorporaria uma partitura sonora que ele mesmo compôs, baseada na popular La violetera, mas vetou o uso da palavra. Só uma pessoa com tanto poder em Hollywood, como ele, poderia ter tomado uma decisão tão radical; alugou uma sala de exibição em Nova Iorque, com mais de mil lugares, onde exibiu o filme durante doze semanas.

 

Anos Turbulentos

Tempos Modernos - sátira à rotinização do trabalho operário O Grande Ditador - Sátira ao nazismo

            A estréia de Luzes da Cidade em Londres foi o pretexto para uma outra viagem à Europa. Dentre as personalidades públicas, políticas e culturais com as quais entrou em contato, estavam Winston Churchill, Mahatma Gandhi, John Maynard Keynes, George Bernard Shaw, H. G. Wells, Aristide Briand, a condessa de Noailles, além de alguns membros da realeza. Chaplin era uma celebridade mundial e era também uma personalidade pública que nunca escondeu sua simpatia pelo socialismo e pela defesa das classes oprimidas. Somerset Maugham escreveu: “Tenho a impressão de que sente saudade dos subúrbios. (...) Acho que se lembra, com nostalgia, da liberdade da sua juventude difícil, com a pobreza e as amargas privações, e sabe que nunca estará satisfeito”. O cineasta escreve na sua biografia: “Esta maneira de querer fazer com que a pobreza do próximo seja atraente é péssima. Eu ainda não conheci um pobre que sinta falta da pobreza ou que se sinta livre sendo pobre”. Depois da crise de Wall Street, com o New Deal e com a efervescência dos movimentos fascistas europeus, a consciência de Chaplin intensificou-se: “Eu não sou patriota. Como se pode tolerar o patriotismo, quando seis milhões de judeus foram assassinados em seu nome?”. O cineasta transferiu essas inquietações para os seus dois únicos longas-metragens feitos durante os anos trinta.

            O primeiro filme, Tempos Modernos (1936), é uma sátira sobre a alienação dos operários no processo de produção em série. O protagonista continua sendo o “Tramp”, que não diz nenhuma palavra durante todo o filme. O segundo filme é ainda mais radical: apesar de toda a prudência que Hollywood manteve com relação ao nazismo até 1938, Chaplin não duvidou em caricaturar Adolf Hitler.  O Grande Ditador (1940), de Chaplin, e  Confessions of a Nazi Spy (1939), de anatole Litvak, foram os dois primeiros filmes americanos a declararem guerra ao nazismo. Na Alemanha, nos países ocupados ou aliados o filme foi proibido, os países neutros tiveram que esperar um outro momento político para exibirem o filme. Nem todos os americanos se identificaram com o discurso pacifista que o protagonista divulga no final (confira aqui). Franklin D. Roosevelt recebeu Chaplin, pessoalmente, na Casa Branca, depois de ter solicitado uma projeção privada de O Grande Ditador, sendo seu único comentário bastante lacônico: “Sente-se, Charlie, o seu filme nos está dando muitas dores de cabeça”.

            Pelo simples fato de ter sido o diretor e intérprete do filme, Chaplin foi rotulado pelos movimentos anticomunistas que surgiram depois da Segunda Guerra Mundial. Rodar um filme antinazista e expressar argumentos humanitários em favor de uma nação aliada eram motivos suficientes para ser mal visto nos Estados Unidos, que, paradoxalmente, estavam em guerra com a Alemanha e ao lado da União Soviética.

            Nessa época, Chaplin já tinha conhecido a sua quarta esposa. Era Oona O’Neil, filha do famoso dramaturgo Eugene O’Neil. Os dois se casaram em 1943, em uma pequena cidade da costa da Califórnia. Uma curiosa coincidência fez com que, nessa mesma época, Chaplin decidisse filmar Monsieur Verdoux (1947(, baseado em um biografia de Landru, um sádico assassino que matava mulheres depois de seduzi-las. Apesar da idéia de rodar esse filme ter sido de Orson Welles, o cineasta inglês decidiu realizar o projeto e fazer o primeiro filme em que o “Tramp” estaria excluído definitivamente. Monsieur Verdoux não apenas foi censurado pela Motion Picture Association, mas também por um amplo setor da imprensa e por algumas organizações de direita. O filme acabou sendo um verdadeiro fracasso. O círculo de intelectuais formado por Salka Viertel, Clifford Odets, Aldous Huxley, Hanns Eisler, Theodor Dreiser e Bertold Brecht fortaleceu a sua imagem antiamenricana. Nessas circunstâncias, o Comitê de Atividades Antiamericanas incluiu Chaplin numa primeira lista de “testemunhas hostis”, tornando-se conhecidos como “os dez de Hollywood”. Como Chaplin demorou a ser citado, decidiu antecipar-se e declarar por escrito: “Para a sua conveniência, direi o que eu acho que desejam saber. Não sou comunista e nunca fiz parte de nenhum partido ou organização política na minha vida. Sou o que vocês chamam de traficante da paz. Espero que não se sintam ofendidos por isso”.

 

Um rei no exílio

            Apesar desse ambiente totalmente hostil, Chaplin ainda rodou outro filme nos Estados Unidos, Luzes da Ribalta (1952), um melodrama sobre um artista do music-hall que dedica seus últimos anos de vida a incentivar a carreira de uma jovem bailarina. Nesse filme, Chaplin trabalhou com Buster Keton, outro grande ator cômico da época.

            Em setembro de 1952, Chaplin recebeu a visita de funcionários do Departamento de Imigração por causa da suspeita sobre a sua militância comunista, a falta de patriotismo que tinha impedido a sua nacionalização e a suspeita de adultério. Eram os últimos dias de Chaplin nos Estados Unidos. Com a desculpa de tirar umas férias, foi para Nova Iorque apresentar Luzes da Ribalta à imprensa e, junto com sua mulher e os quatro filhos do casal, embarcou para Londres, no Queen Elizabeth. Depois de dois dias de viagem, Chaplin recebeu um telegrama comunicando a abertura de uma nova investigação, solicitada pelo Fiscal Geral do Estado, na qual voltavam a aparecer as antigas acusações sobre suas atividades políticas e sua vida particular, o que significou a ruptura definitiva com o país onde tinha vivido durante quarenta anos. A estréia de Luzes da Ribalta (1952) em Londres, Paris e Roma fez com que Chaplin viajasse bastante pela Europa, instalando-se em uma mansão perto da cidade suíça de Vevey. Oona voltou aos Estados Unidos para resolver questões bancárias, pegar os negativos dos filmes de Chaplin e, de volta à Europa, no consulado americano de Lausanne, renunciou à sua cidadania. Chaplin também devolveu seu visto de regresso, alegando que “já estava velho demais para agüentar tantas bobagens”. Mesmo assim continuou a encontrar-se com importantes políticos como Winston Churchill – que o censurou por não ter respondido à sua felicitação pela estréia de Luzes da Ribalta -, Kruschov, Nehru e Chu En-Lai, sem abandonar completamente a possibilidade de continuar trabalhando para o cinema.

            Apesar de Chaplin ter escrito a sua autobiografia entre 1958 e 1964, não mencionou em nenhum momento o filme  Um rei em Nova Iorque (1956). O filme, rodado em Londres, foi sua vingança definitiva por todas as humilhações passadas nos Estados Unidos.

            Nove anos mais tarde, em 1965, Chaplin retomou um antigo roteiro que havia escrito para Paulette. A Condessa de Hong Kong foi protagonizado por Sofia Loren e Marlon Brando. Chaplin interpretou um pequeno papel de garçom e o filme teve uma péssima crítica na Europa.

            Apesar disso, o cineasta ainda viveu o suficiente para receber vários prêmios. Em 1971, a Academia de Hollywood quis restaurar a sua reputação nos Estados Unidos com um Oscar especial “pela incalculável contribuição à arte do século: o cinema”. Um ano mais tarde recebeu outro Oscar com um sabor especial, o de melhor trilha sonora pelo filme Luzes da Ribalta, que por não ter estreado em Los Angeles pôde ser candidato ao Oscar vinte anos depois. Nessa ocasião Chaplin decidiu voltar aos Estados Unidos e pisou um palco pela última vez, sendo aplaudido durante muitos minutos. Três anos mais tarde, a rainha da Inglaterra o nomeou cavaleiro do Império Britânico. Em 1977, na fria madrugada de 25 de dezembro, o cineasta deu seu último suspiro, aos oitenta e oito anos de idade. Morria o gênio de infância triste que, com os seus filmes, fez com que milhares de espectadores do mundo inteiro rissem e chorassem...      

MONTGOMERY CLIFT

" Ele estava profundamente decepcionado, não apenas com Hollywood, mas com o próprio cinema e sua capacidade de transformar atores medíocres em gênios."-Brooks, o irmão mais velho

Edward Montgomery Clift nasceu no Nebraska, em 17 de outubro de 1920. Estreou na Broadway em 1935 e se dedicou exclusivamente ao teatro, conseguindo seu primeiro papel principal apenas dez anos depois.Fundou em 1974 a famosa Actor,s Studio, onde James Dean viria a estudar. Estreou nas telas um ano depois e, durante quase uma década, recebeu três indicações ao Oscar, elogios da crítica e uma legião de fãs(por causa de sua beleza tímida e sensível). Sofreu um acidente de carro em 1956, quase destruindo sua carreira, que passou a ser abalada por alcoolismo, drogas, um rosto marcado por cicatrizes e uma vida errática ( nunca se casou, sempre houve suspeitas de homossexualismo e um complicado romance com ( Elizabeth Taylor). Foi mais uma vez indicado ao Oscar e atuou até falecer(em 23 de julho de 1966), apesar de seu crescente declínio físico-emocional.

FILMOGRAFIA BÁSICA- 1948 Rio Vermelho ( Red River) - 1949 Tarde Demais(The Heiress) - 1949 Um lugar ao Sol (A Place in The Sun )- A um Passo da Eternidade(From Here to Eternity).

ROCK HUDSON

" Nao posso interpretar um perdedor.Eu não me pareço com um."

Foi um grande choque quando Rock Hudson anunciou, pouco antes de sua morte, a 2 de outubro de 1985, que havia contraído  Aids.Um dos maiores galãs românticosda Hollywood pós segunda guerra, ficou marcado no coração dos fãs como o ator de vários melodramas de Douglas Sirk na década de 50 e como o comerciante namorador nas comédias leves dos anos 60, em especial ao lado de Doris Day. Há muito, porém, suspeitava-se de sua homossexualidade, realidade que não foi encoberta com o casamento de conveniência com Phyllis Gate (1955/58).Roy Harold Scherer Jr, nasceu em Ilinois, a 17 de novembro de 1925, serviu a marinha americana nas Filipinas entre 1944/46 e passou por vários trabalhos até estrear nas telas em 1948 com Sangue, Suor e Lágrimas. A década de 70 foi marcada principalmente pela série de TV McMillan e pela sua estréia nos palcos, em 1973. Um de seus últimos trabalhos foi Dinastia.

FILMOGRAFIA BÁSICA- 1954 Sublime Obsessão( The Magnificent Obsession) - tornou-se um astro reconhecido com este melodrama de Sirk.- 1955 Tudo o que o Céu Permite( All that Heaven Allows) - Assim Caminha a Humanidade ( Giant )-1957 Palavras ao Vento(Written on the Wind ).

JOHN WAYNE

"Faroestes estão mais perto da arte em si do que qualquer outra coisa no ramo da indústria cinematográfica"

John Waine, a maior figura do faroeste, foi uma das dez primeiras bilheterias do cinema entre 1947/74. Marion Michal Morrisos nasceu em Iowa a 26 de maio de 1907 e começou no cinema como um "quebra -galhos" na fox. Sua primeira aparição se deu em 1926, atuando então em alguns filmes com o nome Duke(seu apelido) Morrison.Em 1930, é pela primeira vez dirigido por John Ford(em Men Without Women),artesão com quem mais trabalhou, ao lado de Howard Hanks.. Foi co-fundador da Aliança Cinemaográfica para a Preservação dos Ideais Americanos, em 1944. Três anos depois passou tambem à produção, fundando duas companhias.  Estreou na direção em 1960 com O Álamo, e ainda co-dirigiu Os Boinas Verdes(68). Foi casado com Josephine Saenz(33/45); Esperanza Bauer(46/54), com quem teve duas filhas, além do produtor Michael Wayne e do ator Patrick Wayne; e com Pilar Palette, com quem teve mais três filhos, com quem viveu até falecer, a 11 de junho de 1979.

FILMOGRAFIA BÁSICA- 1930  No Tempo das Diligências (Stagecoach) - filme que consagrou definitivamente tanto Wayne quanto o diretor Ford - 1945 Fomos os Sacrificados ( They Were Expendable)- 1948 Rio Vermeho ( Red River ) - Sangue de Herói ( Fort Apache) - 1950 Rio Bravo (Rio Grande)- 1967 El Dorado.- 1976 O último Pistoleiro ( The Shootist).

CARY GRANT

" Minhas esposas divorciaram-se de mim.Diziam que eu levo uma vida muito monótona"

Charmoso e elegante, bonito e natural, ator favorito monstros sagrados como Howard Hawks e Alfred Hitchcok, par romântico de várias estrelas em 35 anos de uma carreira numérica e de qualidade, Cary Grant é um dos ícones Hollywoodianos mais admirados e menos imitados, por ser dono de um estilo único e carismático. Apesar de duas vezes indicado ao Oscar de ator( serenata prateada, em 1941, e apenas um coração solitário, em 1944), nunca chegou a ser laureado. Alexander Archibald Leach nasceu em Bristol, na Inglaterra, em 18 de janeiro de 1904, e fugiu da escola aos 15 anos para se juntar a uma trupe de artistas. Durante uma turnê pelos EUA, acabou ficando e começou a atuar em curtas a partir de 1932 até se especializar em comédias sofisticaas. Casou-se cinco vezes, inclusive com as atrizes Virginia Cherrill, Betsy Drake e Dyan Cannon. Estava casado com Barbara Harris quando faleceu em 1986.

FILMOGRAFIA BÁSICA- 1937 Topper e o casal de Outro Mundo(Topper) Cupido é moleque teimoso(the awful Truth) - 1938 Levada da Breca(Bringing Up Baby) - 1930 Gunga Din. Paraiso Infernal(Only Angels Have Wing) - Núpcias de Escândalo( the philadelphia store)- 1941 Suspeita (suspicion).

ROBERT MITCHUM

" A única diferença entre meus amigos atores e eu é que passei mais tempo na prisão"

Muitas vezes ele é comparado a Humphrey Bogart, não só porque ambos personificam o detetive Philip Marlowe, criação de Raymon Chandler,mas, por terem construido sua persona em cima de uma interpretação bastante natural, espontânea, sem estudos. Robert (Charles) Mitchum, nascido em Connecticut a 6 de agosto de 1919, tem um olhar meio cansado, mas observador e lacônico. Pode esconder força e ameaça por trás de uma expressão impassível.Mitchum abandonou a escola aos 14 anos e passou por vários empregos, inclusive de boxeador. Estreou nas telas em 1943, em Hoppy Serves a Writ. Foi depois de ter servido ao exército americano em 1945 que Robert Mitchum começou a impulsionar sua carreira. Ficou ainda mais famoso ao ser preso, em 1948, por porte de maconha. Foram dois meses de cadeia. 

FILMOGRAFIA BÁSICA- Também Somos Seres Humanos ( The Story of G.I Joe)seu primeiro filme importante tambem lhe conferiu a única indicação ao oscar, de melhor ator coadjuvante. 1947 Sua Única Saída( Pursued) - 1948 Sangue de Lua ( Blood on the Moon)- 1952 Alma em Pânico( Angel Face)- 1954 Dominados pelo Terror ( The Night of the Cat).

LAURENCE OLIVER

"Nada fica além de mim se for compensador. Fiz por merecer o direito de Realmente agarrar tudo que posso durante o tempo que me resta."

O maior ator shakespeariano foi, Laurence Oliver. Nasceu na Inglaterra a 22 de maio de 1907, sempre foi, antes de mais nada, um ator de teatro. Começou, em 1925, estreando na peça Macbeth, de Shakespeare. Durante toda a sua ida, dirigiu a sua companhia, produziu peças, associou-se aos nomes e às empresas mais importantes do teatro britânico. Debutou nas telas, em 1929, com A Temporary Widow, consagrou-se no final da década seguinte. Recebeu noce indicações ao oscar, levou-o uma vez e mereceu um Oscar Especial pela sua carreira em 1978.Dirigiu 5 filmes com grande sucesso de crítica. Em 1970, foi o primeiro ator a virar lorde.Foi casado co a atriz Jill Esmond(30/40) e com Joan Plowrigt, com quem teve um filho e duas filhas, e que o acompahou até a sua morte, a 11 de julho de 1989.

FILMOGRAFIA BÁSICA- 1939 O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights) - 1940 Rebeca, a Mulher Inesquecível- 1945 Henrique V - 1948 Hamlet - a segunda direção, novamente a partir de William Shkespeare, lhe deu o único Oscar de melhor ator.

GARY COOPER

Gary Cooper, na verdade Frank James Cooper, nasceu a 7 de maio de 1901, em Helena, Montana, nos Estados Unidos. Quando menino, entretanto, viveu na Inglaterra. De volta aos Estados Unidos, ainda jovem, chegou a colaborar no jornal de sua cidade como caricaturista político. Um agente deu-lhe o nome de Gary e ele passou a figurar, então, em alguns filmes menores. Seu papel de destaque veio com "O Beijo Ardente" (1926). Em 1927, participou de "Asas", o primeiro filme a ganhar um Oscar. Em 1929 foi contratado para atuar em seu primeiro filme totalmente falado: "Agora ou Nunca", dirigido por Victor Fleming.

No ano seguinte, ao lado da atriz alemã Marlene Dietrich, Gary Cooper faria o primeiro grande filme de sua carreira: "Marrocos", um sucesso que não chegou aos nossos dias. Outros filmes famosos de que participou foram "Adeus Às Armas" (1932), indicado para o Oscar; "Lanceiros da Índia" (1935); "O Galante Mr. Deeds" (1936); "Beau Geste" (1939); "Adorável Vagabundo" (1941); "Vontade Indômita" (1949); "Vera Cruz" (1954) e "Sublime Tentação" (1956). Com esse currículo fabuloso, Gary Cooper morreu de câncer em 14 de maio de 1961, exatamente uma semana após completar 60 anos.

AVA GARDNER

"É uma completa vergonha. Fui estrela de cinema durante 25 anos e tudo o que consegui são três ex-maridos asquerosos"

Considerada por quase unanimade o rosto mais bonito da história do cinema ( ela chegou a ser chamada de "o animal mais bonito do mundo"), Ava(lavinha) Gardner nasceu muito pobre em uma fazenda da Califórnia do Norte, em 24 de dezembro(!) de 1922. Foi uma sessão de fotografias realizada em nova york que lhe conquistou um contrato com a Metro, tendo estreado em Tu És a Única(1942). Ela só conquistou notoriedade a partir do sensual papel de Kitty Collins em Assassinos( 1946). Sua forte presença, de mulher independente, carnal, inteligente, confundiu-se com sua vida real. A persona de Ava Gardner foi a de uma pessoa  inquieta. Foi casada com Mickey Rooney, Artie Shaw e Frank Sinatra, sendo alvo de eternas fofocas. Sua carreira entrou em decadência depois de 1965. Faleceu solitária em 25 de janeiro de 1990.

FILMOGRAFIA BÁSICA-  Mercador de Ilusões ( The Hucksters) apesar do papel de Jean Ogilvie ser pequeno, ajudou a firmar sua imagem de símbolo sexual - 1951 Pandora ( Pandora and Flyng Dutchman ) O Barco das Ilusões ( Show Boat) As neves do Kilimanjaro ( The Snows of Kilimanjaro )- 1953 Mogambo - 1954 A condessa Descalça- 1974 Terremoto

JAMES DEAN

"Seu talento tem sido comparado ao de Marlon Brando. Creio que, se vivesse, iria muito além de Brando: tinha mais talento, era mais sensível e versátil." Hedda Hopper, colunista de Hollywood.

"Tentei ajudá-lo e amá-lo, mas não deu certo." Ursula Andress

O que teria acontecido a James Dean se ele não tivesse morrido no auge de sua fama? A morte, porem, marcou indelevelmente sua imagem e o transformou talvez no maior mito masculino do cinema. James Byron Dean nasceu em Ohio, em 8 de fevereiro de 1931, e começou sua carreira em 1950, em um comercial da Pepsi. Seu primeiro papel de ficção foi em Baionetas Caladas, de Samuel Fuller, em 1951. Teve até uma ponta em uma comédia da dupla Jerry Lews/ Dean Martin ( O Marujo Foi na Onda, de 1952). Foi quando ingressou no Actor,s tudio de Nova York. Eternizou-se com apenas três fortes filmes, vindo a falecer em um acidente de carrro( em 30 de setembro de 1955). Logo após de Vidas Amargas ter sido lançado comercialmente. Tímido, ansioso, pessoa de intensa busca interna viu seu nome associado ao de várias mulheres e foi alvo de um documentário co-dirigido por Robert Altman em 1957, The James Dean Story.

FILMOGRAFIA BÁSICA- 1955 Vidas Amargas( East of Eden ) fama meteórica e intantânea e uma indicação ao Oscar de melhor ator. - 1956 Juventude Transviada ( Rebel Without a cause ) Hino e simbolo de toda uma geração jovem. - Assim caminha a humanidade.( Giant) indicação póstuma ao Oscar de melhor ator.

MARLON BRANDO

" Interpretar é uma profissão vazia e inútil "

Marlon Brando é o ator que mais indicações ao oscar ( oito ao todo ) teve, depois dos nove dos falecidos Spencer Tracy e Laurence Olivier. Nascido em Nebraska, a 3 de abril de 1924, estudou Artes Dramáticas com Stella Adler, estreou na Broadway em 1944 e consagrou-se, três anos depois, com Um Bonde Chamado Desejo. Estreou nas telas, com Espíritos Indômitos ( 50 ). Fundou sua própria produtora, a Pennebaker, para realizar sua única direção. A Face Oculta (61). Declinou do segundo Oscar recebido, por O Poderoso chefão (72), fazendo o prêmio ser entregue a uma atriz indígena como protesto aos maus-tratos de Hollywood  para com os índios. Manteve vários romances com mulheres exóticas e tem inúmeros problemas ( até mesmo legais ) com os seus filhos. Foi casado com a indo-britânica Anna Kashfi, a mexicana Movita Castenada e desde meados dos 60, esta com a taitiana Tarita Teriipaia.

FILMOGRAFIA BÁSICA - 1951 Uma Rua Chamada Pecado ( A Streetcar Naned Desire ) a adaptação de seu sucesso da Broadway o consagrou nas telas e lhe conferiu a primeira indicação ao Oscar - 1952 Viva Zapata -  1953 Júli Cesar ( mais duas indicações ao oscar ) - 1954 O Selvagem ( The Wild One )-  1954 Sindicato dos Ladrões - 1972 O Poderoso Chefão ( The Godfather) - 1973 O Último Tango em Paris ( mais uma indicação ao ao oscar ) -1978 Superman - 1979 Apocalypse Now ( o insano coronel Kurtz lhe caiu perfeitamente...

 

 

 

ELIZABETH TAYLOR

" Se alguém é tolo bastante para me oferecer um milhão de dólares para fazer um filme, não sou tola o suficiente para declinar"

Os mais belos e famosos olhos azuis do cinema tornaram-se um ícone por si mesmos. Com oito casamentos nas costas, entre eles o cantor Edie Fischer ( 1959/64 ) e o ator Richard Burton e su nome associado a perfumes e ao excesso de jóias - uma bela e luxuriante cafonália - , Elizabeth Taylor atropela as telas e é uma figura única. Ela é inglesa de pais americanos, nasceu em Londres a 27 de fevereiro de 1932 com osegundo nome Rosemond e estreou logo em 1942 em There,s One Born Every Minute, dando início a uma carreira que se manteria por toda a sua vida. Sua produção apenas diminuiu na década de 80, quamdo passa a trabalhar mais para a TV e a se dedicar à campanha de conscientização da Aids.

FILMOGRAFIA BÁSICA- 1951 Um lugar ao Sol ( A Place in rhe Sun ) as filmagens foram atribuladas por um romance entre Taylor e Montgomery Clift, famoso por sua homossexualidade - 1956 Assim caminha a humanidade ( Giant)- 1957 A Árvore da Vida ( Raintree Country)- 1963 Cleóprata Um dos maiores fracassos do cinema, quase destruiu a 20th Century Fox - 1967 O Pecadode Todos Nós - 1980 A Maldição do Espelho ( The Mirror Crack,d )

 

 

VICENT PRICE

Biografia: Vincent Price, descendente de uma família tradicional do Missouri, começou no cinema em pequenos papéis românticos, que serviam apenas para projetar astros maiores, como Errol Flynn e Gene Kelly. Desta sua fase inicial, um dos filmes mais marcantes é "Laura", a obra-prima de Otto Preminger, no qual ele contracena com a linda Gene Tierney. É curioso ver o aristocrático Price no papel de um bobalhão romântico.
Mas a carreira do ator começou a ganhar destaque apenas nos anos 50, participando inclusive da superprodução épica
"Os Dez Mandamentos", no meio de uma verdadeira constelação de atores e atrizes famosos. Em 53 estreou no gênero horror, com o filme "Museu de Cera". Desde então Vicent Price não parou mais de aterrorizar as telas, compondo com maestria personagens sinistros ou atormentados por forças sobrenaturais.

O ABOMINÁVEL DR. PHIBES por Renato Rosatti

Um dos maiores monstros sagrados do cinema de horror, Vincent Price é lembrado por vários de seus personagens ao longo de sua carreira, mas nada tão marcante quanto sua interpretação como o psicopata Dr. Anton Phibes. Assim como imortalizamos ao longo da história o monstro de Frankenstein a Boris Karloff e o Conde Drácula a Bela Lugosi (anos 1930 e 40) e Christopher Lee (décadas de 1950, 60 e 70), ou ainda Freddy Krueger a Robert Englund (anos 1980 e 90 - este, é claro, infinitamente inferior aos mitos anteriores), Price ficou associado ao Dr. Phibes, único personagem em sua carreira a ter uma sequência de filmes.

Dirigido em 1971 por Robert Fuest e com produção inglesa da American International Pictures, O Abominável Dr. Phibes (disponível no Brasil em vídeo), é um típico exemplo do estilo “camp”, com visual e cenários muito coloridos e estética brega, porém um clássico absoluto do humor negro em sua essência.
O Dr. Phibes, deformado em um acidente e dado como morto, planeja uma maquiavélica vingança contra a equipe de cirurgiões que ele acusa de falharem em salvar a sua esposa Victoria, na mesa de operações. Auxiliado por uma bela, misteriosa e silenciosa jovem, Vulnavia (Virginia North), ele executa todos com muita arte e engenhosidade, inspirando-se nas famosas dez pragas de Deus contra um faraó egípcio. Os assassinatos calculados despertaram a atenção da polícia que em vão fica em seu encalço tentando impedí-lo.
Desfigurado pelo acidente, Dr. Phibes transformou-se numa criatura hedionda que utilizava uma máscara com suas antigas feições e falava através de um gramofone plugado a sua garganta que alterava seu tom de voz para gutural. E é através desse orifício que ele também ingeria seus alimentos.
Apesar dos brutais e inventivos assassinatos, Dr. Phibes mantinha uma atmosfera romântica em torno de sua vingança, onde possuia até uma orquestra de bonecos mecânicos em seu esconderijo, que tocavam para ele e sua assistente dançarem comemorando cada crime cometido. Além disso, ele mantinha também um órgão no estilo O Fantasma da Ópera onde tocava suas melodias fúnebres, enquanto derretia a face de bonecos de cera com fogo após o sucesso de mais assassinatos.

Após dizimar com maestria a equipe de médicos incompetentes, Dr. Phibes voltou novamente em 1972 na sequência A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes com mesma direção e produção (também lançado em vídeo no mercado brasileiro). Agora ele parte para o Egito buscando um rio perdido e oculto nas pirâmides (O Rio da Vida) onde supostamente se alcançava a imortalidade. Leva então consigo sua esposa Victoria embalsamada na esperança de ressuscitá-la e obter a vida eterna para os dois. Em seu rastro seguem também um grupo de arqueólogos com o mesmo objetivo, obrigando Dr. Phibes a liquidá-los.
A sequência de assassinatos artísticos continua com a mesma intensidade, talvez um pouco mais gratuitos agora, porém cada vez mais engenhosos e divertidos, o que inspirou outro filme de Vicent Price no ano seguinte, As Sete Máscaras da Morte (Theatre of Blood), onde interpretou um ator shakespereano que simula suicídio e se vinga ferozmente de seus críticos, inspirando-se em textos de Shakespeare.

O Dr. Phibes foi um típico “serial killer” do cinema, porém ele chacinava suas vítimas com classe e genialidade, arquitetando cuidadosamente seus métodos e maneiras de matar, como um verdadeiro cavalheiro, combinando com a personalidade aristocrática de Vincent Price. Bem diferente das dezenas de filmes posteriores onde os assassinos em série como os psicopatas famosos, porém pouco inteligentes, Jason Voorhees (Sexta-Feira 13) e Michael Meyers (Halloween), interpretados por atores inexpressivos, que mancharam as telas de sangue ao exagero e com pouca inventividade em seus crimes, variando apenas no uso das armas (de machados à serras elétricas) ou nos métodos brutais (mutilações diversas).
Mas o horror é fascinante por tudo isso, por abranger um infindável universo onde há espaço para todas as manifestações e estilos e onde tudo tem características próprias e sua importância na consolidação do gênero como arte de entretenimento.

O ABOMINÁVEL DR. PHIBES (The Abominable Dr. Phibes, ING, 1971)
Direção de Robert Fuest. Produção de Louis M. Heyward e Ron Dunas. Roteiro de James Whiton e William Goldstein. Música de Basil Kirchin. Fotografia de Norman Warwick. Efeitos Especiais de George Blackwell. Maquiagem de Trevor Cole-Rees. Elenco: Vincent Price, Joseph Cotten, Peter Jeffrey, Hugh Griffith, Terry-Thomas, Virginia North, Caroline Munro, Aubrey Woods, Susan Travers. 90 min.

A CÂMARA DE HORRORES DO ABOMINÁVEL DR. PHIBES (Dr. Phibes Rises Again, ING, 1972)
Direção de Robert Fuest. Produção de Louis M. Heyward. Roteiro de Robert Fuest e Robert Blees. Música de John Gale. Elenco: Vincent Price, Robert Quarry, Peter Jeffrey, Valli Kemp, Fiona Lewis, Peter Cushing, Berry Reid, Caroline Munro. 90 min.

 

LIZABETH SCOTT

 

 

Lizabeth Scott, cujo nome de batismo era Emma Matzo, nasceu em Scranton, Pensylvania, USA, no dia 29 de setembro de 1922.
Filha de imigrantes eslovacos, estudou arte dramática em Nova York. Em 1942 trabalhou como substituta eventual de Tallulah Bankhead na peça The Skin of Our Teeth, sem oportunidade, porém, de exercer o papel principal.
Desanimada, aceitou papéis menores, e ainda trabalhou como manequim. Algumas circunstâncias favoráveis trouxeram-na de volta ao teatro. Com a doença da intérprete de “Sabina”, Elizabeth, que a substituíra muito bem, acabou ficando definitivamente no seu lugar. Mais tarde, por ironia do destino, foi convidada, mas recusou protagonizar The Skin of Our Teeth, aquela mesma peça na qual tinha sido simplesmente a substituta de Talulah.

Segundo contam, resolveu suprimir o “E” inicial de seu nome apenas para “ficar diferente”.
Uma foto de Lizabeth no Harper´s Bazar chamou a atenção do agente Charles Feldman. Fez testes na Warner Brothers, mas quem a contratou foi a Paramount Pictures, estreando ao lado de Robert Cummings no filme You Came Along (1945). Embora tivesse mais talento do que elas, os produtores tentaram fazer de Lizabeth uma espécie de Lauren Bacall ou Veronica Lake, já que seu semblante e voz lembravam Bacall, então esposa de Humphrey Bogart. 
A linda atriz Lizabeth não se casou ou teve filhos. Ela não se conformava com os rumores de que era lésbica, envolvendo-se, por isso em alguns processos judiciais. 
Seu último filme foi com Mickey Rooney, em 1972. Lizabeth Scott está imortalizada na Calçada da Fama (1624 Vine Street – Hollywood) pela sua contribuição às ciências cinematográficas.

Lizabeth Scott foi uma das maiores do " film noir ", tendo atuado nos clássicos " The Strange Love of Martha Ivers " ( O Tempo não Apaga/1946, ao lado de Kirk Douglas ) de Lewis Milestone, " Dead Reckoning " ( Confissão/ 1947, ao lado de Humphrey Bogart ,)de John Cromwell , " Pitfall " ( O Caminho da Tentação/ 1948, ao lado de Dick Powell ), de Andre De Toth e "Dark City " ( Cidade Negra/ 1950, ao lado de Charlton Heston ), de William Dieterle. Brilhou também no melodrama " Desert Fury " ( A Filha da Pecadora/1946 ), de Lewis Allen e no western " Red Mountain " ( 1951, ao lado de Alan Ladd ), também dirigido por William Dieterle. Uma mulher bela, sensual, dona de uma voz rouca e inesquecível, dotada de uma fragilidade e uma feminilidade inefáveis. Uma verdadeira musa dos anos dourados e cada vez mais distantes de Hollywood.

 

LANA TURNER

 

 

Lana Turner, nome artístico de Julia Jean Turner, nasceu em Wallace, no dia 8 de fevereiro de 1921 e faleceu em Century City, no dia 29 de junho de 1995, foi uma atriz americana.
Filha de Mildred Frances Cowan e John Virgil Turner, foi descoberta, aos quinze anos, em 1936, tomando uma coca-cola na lanchonete "Top Rat Café" na rua Highland, em Hollywood pelo produtor do jornal "Hollywood Report", W.R.Wilkerson. Foi contratada, a 50 dólares por semana, por Mervyn LeRoy, diretor da Warnertendo estreado em 1937, no filme "They won't forget". Ela era a "Garota do Suéter", considerada símbolo sexual entre as décadas de 1940 e 1950 e tornou-se uma das atrizes mais bem pagas da época.
Percorreu várias etapas até alcançar o estrelato em "O Destino bate à sua porta" (The Postman always rings twice) de 1946. A estrela era esbanjadora e maníaca por sapatos. Foi casada e separada sete vezes além de ter mantido casos amorosos com várias personalidades como Victor Mature, Howard Hughes, Gene Krupa, Robert Stack, Tony Martin, Clark Gable, Fernando Lamas, Peter Lawford e Rex Harrison, entre outros. Teve uma única filha com Stephen Crane. Os outros maridos foram o músico Artie Shaw, o milionário Henry J. Topping, o ator(e ex-Tarzan) Lex Barker, Fred May, o produtor Bob Eaton e o hipnotizador Joe Robert Dante, que roubou-lhe dinheiro e jóias. Apesar disso o grande amor de sua vida foi o ator Tyrone Power com quem não se casou.
Um dos grandes escândalos de Hollywood envolveu a filha da atriz, Cheryl Christina Crane, que acusava a mãe de abandono e, em 1958 assassinou Johnny Stompanato, um dos amantes de Lana com uma faca de cozinha. Nessa época a estrela era constantemente agredida pelo gângster Stompanato e ameaçada de ter seu rosto desfigurado caso ela deixasse de lhe sustentar. Cheryl foi absolvida pelo crime.
Lana passou um longo tempo em depressão causada pelo álcool. Apesar de toda a tragédia e da vida sofrida de Lana, sua filha Cheryl demonstrou muito carinho pela mãe em sua autobiografia "Detour - a Hollywood tragedy" enfatizando ainda que tinha muito orgulho de haver matado para defender a mãe. Em 1985 foi lançado o livro "Lana", uma autobiografia da estrela.
Lana morreu em 29 de junho de 1995 em Century City, na Califórnia de câncer na garganta.

 

KIM NOVAK

 

 

Nascida Marilyn Pauline Novak, no dia 13 de Fevereiro de 1933, Kim Novak é uma atriz americana.
Kim Novak resistiu às pressões da Columbia Pictures, estúdio ao qual tinha contrato, para que adotasse o nome artístico de Kit Marlowe, e apenas concordou com a mudança de Marilyn para Kim para evitar que as pessoas a confundissem com a também atriz Marilyn Monroe.
Seus filmes mais famosos foram como loira gelada em "Um corpo que cai" (1958) ("Vertigo") de Alfred Hitchcock e "Meus dois carinhos" (Pal Joey) de 1957, ao lado de Frank Sinatra e Rita Hayworth.
Em 1957 fez uma greve em protesto contra o salário que recebia na época.
Kim se casou duas vezes, a primeira com Ricard Johnson (1965 a 1966) e com o Dr. Robert Malloy em 1976 e com quem está casada até hoje. Kim não teve filhos. Muito foi falado sobre sua suposta bissexualidade.Afastada do cinema, atualmente cria cavalos e lhamas no Oregon e na Califórnia.
Possui uma estrela na Calçada da Fama, localizada em 6336 Hollywood Boulevard.
Ganhou o Globo de Ouro de melhor revelação feminina em 1955, e o de estrela favorita do cinema em 1957. 
Em 1957 recebeu uma indicação ao BAFTA na categoria de melhor atriz estrangeira por Férias de amor (1955). 
Ganhou um Urso de Ouro honorário em 1997, concedido pelos organizadores do Festival de Berlim.

 

MARILYN MONROE

 

 

Nascida Norma Jean Baker em Los Angeles, no dia 01 de junho de 1926 e falecida em 05 de agosto de 1962, Marilyn Monroe foi uma atriz norte-americana.
É uma das mais famosas estrelas de cinema de todos os tempos, um símbolo de sensualidade e um ícone de popularidade no século XX.
Como a identidade de seu pai era desconhecida, recebeu o nome de Norma Jean Baker. Muitos biógrafos acreditam que o pai biológico de Marilyn era Charles Stanley Gifford, um agente de vendas do estúdio RKO, onde Gladys Pearl Monroe, a mãe de Marilyn, trabalhava. Ela era editora de filmes, mas problemas psicológicos a impediram de permanecer no emprego e ela foi levada para uma instituição de tratamento psiquiátrico. A certidão de nascimento diz que o segundo marido de Gladys, Martin Edward Mortensen, é que é o pai biológico de Marilyn. Numa entrevista ao canal de televisão Lifetime, James Dougherty, o primeiro marido de Marilyn, disse que ela acreditava que Gifford era o seu pai.
Norma Jean passou grande parte de sua infância em casas de família e orfanatos até que, em 1937, ela mudou-se para a casa de Grace Mckee Goddard, amiga da família. Em 1942, o marido de Grace foi transferido para a costa leste, e o casal não tinha condições financeiras para levar Norma Jean, na época com dezesseis anos. Norma Jeane tinha duas opções: voltar para o orfanato ou se casar.
No dia 19 de julho de 1942 casou com Jimmy Dougherty, de 21 anos, a quem estava namorando há seis meses. Segundo Jimmy, ela era uma menina doce, generosa e religiosa e que gostava de ser abraçada. Até então, Norma Jean amava Jimmy e eles estavam muito felizes juntos, até que ele entrou para a Marinha e foi transferido para o Pacífico Sul, em 1944.
Após a partida de Jimmy, Norma Jean começou a trabalhar na fábrica Radio Plane Munition, em Burbank, na Califórnia. Alguns meses depois, o fotógrafo Davis Conover a viu enquanto estava tirando fotos de mulheres que estavam ajudando durante a guerra, para a revista Yank. Ele não acreditou na sua sorte, pois ela era um "sonho" para qualquer fotógrafo. Norma Jean posou para uma seção de fotos e ele começou a lhe enviar propostas para trabalhar como modelo. As lentes adoravam Norma Jean, e em dois anos ela tornou-se uma modelo respeitável e estampou seu rosto em várias capas de revistas. Ela começou a estudar o trabalho das lendárias atrizes Jean Harlow e Lana Turner, e inscreveu-se em aulas de teatro, sonhando com o estrelato. Porém, o marido Jimmy retornou em 1946, o que significou que Norma Jeane tinha que fazer outra escolha, dessa vez entre seu casamento e sua carreira.
Norma Jean e Jimmy divorciaram-se em junho de 1946. Norma assinou seu primeiro contrato com a Twentieth Century Fox em 26 de agosto de 1946, em que ganhava $125 por semana. Pouco tempo depois, tingiu seu cabelo de loiro e mudou seu nome para Marilyn Monroe, que era o sobrenome da sua avó materna.
Marilyn começou a carreira em alguns pequenos filmes, mas a sua habilidade para a comédia, a sua sensualidade e a sua presença levaram-na a conquistar papéis em filmes de grande sucesso, tornando-a numa das mais populares estrelas de cinema dos anos 50. Tinha 1,67 m de altura, 94 cm de busto, 61 cm de cintura e 89 cm de quadril. Apesar de sua beleza deslumbrante, suas curvas e lábios carnudos, Marilyn era mais do que um símbolo sexual na década de 50. Sua aparente vulnerabilidade e inocência, junto com sua inata sensualidade, a tornaram querida no mundo inteiro.
O primeiro papel de Marilyn em um filme foi em 1947, em "The Shocking Miss Pilgrim". Fez pequenas atuações até 1950, quando conseguiu um pequeno, mas influente papel no thriller "The Asphalt Jungle". Ainda naquele ano, a aparição relâmpago de Marilyn em "All About Eve", lhe rendeu muitos elogios. A partir daí, participou de filmes como: "Let's Make It Legal", "As Young As You Feel", "Monkey Business" e "Don't Bother to Knock". No entanto, foi sua performance em "Niagara", em 1953, que a tornou estrela. 
O sucesso de Marilyn em Niagara lhe rendeu os papéis principais em "Gentlemen Prefer Blondes" e "How to Marry a Millionaire". A revista Photoplay votou Marilyn como melhor atriz iniciante de 1953 e, aos 27 anos de idade, ela era sem dúvida a loira mais amada de Hollywood.
No dia 14 de janeiro de 1954, Marilyn casou com o jogador de baseball Joe DiMaggio, em São Francisco, na Califórnia. Eles namoravam há dois anos quando Joe pediu a seu agente que organizasse um encontro para os dois jantarem e a pediu em casamento. "Eu não sei se estou apaixonada por ele ainda", disse Marilyn à imprensa logo no início de seu relacionamento, "mas eu sei que eu gosto dele mais do que qualquer homem que já conheci". Durante sua lua de mel em Tóquio, Marilyn fez uma performance para os militares que estavam servindo na Coréia. A sua presença causou quase um motim, e Joe estava claramente incomodado com aqueles milhares de homens desejando sua mulher.
Infelizmente, a fama de Marilyn e sua figura sexual tornaram-se um problema em seu casamento. Nove meses depois, no dia 27 de outubro de 1954, Marilyn e Joe se divorciaram. Eles atribuíram a separação a "conflitos entre carreiras", e permaneceram bons amigos.
Em 1955, Marilyn estava pronta para livrar-se da imagem de furacão loiro. Isso tinha dado a ela o estrelato, mas agora que ela tinha a oportunidade e a experiência, Marilyn queria seguir com seriedade a carreira de atriz. Ela mudou-se de Hollywood para Nova York, para estudar na escola de atores de Lee Strasberg. Em 1956, Marilyn abriu sua própria produtora, Marilyn Monroe Productions. A empresa produziu os filmes "Bus Stop" e "The Prince and the Showgirl". Esses dois filmes serviram para Marilyn mostrar seu talento e versatilidade como atriz. Marilyn foi reconhecida pelo seu trabalho em "Some Like It Hot", de 1959, quando venceu o Golden Globe de "Melhor Atriz em Comédia".
No dia 29 de junho de 1956, Marilyn casou-se com o dramaturgo Arthur Miller. O casal se conheceu através de Lee Strasberg, e amigos disseram que ela o deixava de "joelhos bambos". Enquanto eles estavam casados, em 1961, Arthur escreveu o papel de "Roslyn Taber" de The Misfits, especialmente para Marilyn. Infelizmente, o casamento entre Marilyn e Arthur terminou no dia 20 de janeiro de 1961 e o filme foi o último filme por completo em que Marilyn atuou.
A data do divórcio, ocorrido no México, foi escolhida por ser o dia da posse do presidente John F. Kennedy, nos Estados Unidos, numa tentativa de manter a separação fora das manchetes. A tática não funcionou.
Marylin já tinha tido encontros amorosos com Kennedy muito antes dele entrar na Casa Branca. Kennedy ficara obcecado por ela durante sua recuperação de uma operação na coluna que o deixou imobilizado. Alguém pendurou uma fotografia dela nua em frente à cama do seu quarto. O caso entre eles teve início depois de seu divórcio de Vitor Baggio e continuou, esporadicamente, enquanto ela esteve casada com Miller. Eles se encontravam na suite dele do Carlyle Hotel, em Nova Iorque, ou na casa de praia de Peter Lawford, em Santa Monica. O FBI grampeou a casa de praia de Peter Lawford e John Edgar Hoover, o chefe do FBI, usou as gravações para manter seu cargo quando Kennedy tentou demiti-lo. Hoover também insinuou que alguém mais havia grampeado a casa - a Máfia, com que Kennedy cruzara durante as eleições. Robert Kennedy, o irmão mais novo do presidente, por vezes se relacionava com as mulheres de John. Era o chefe de Hoover e, como procurador-federal, estava determinado a acabar com a Máfia. Advertira o presidente para deixar Marilyn, pois os chefes mafiosos poderiam usar o caso contra ele. Apesar de suas ilusões, Marilyn sabia que Kennedy desejava apenas a estrela cintilante de cinema, não a mulher que era. Ele pretendia livrar-se dela com elegância. Concedeu a Marilyn um último momento de glória. Em seu aniversário, Peter Lawford levou-o à sede do Partido Democrático, onde ela cantou com voz lasciva "Feliz aniversário, senhor presidente", metida num vestido que o diplomata Adlai Stevenson descreveu como feito de "pele e pérolas. Só que não vi as pérolas." John Kennedy disse: "Já posso me retirar da política, depois de ter ouvido este feliz aniversário cantado para mim de modo tão doce e encantador."
Nos Golden Globes de 1962, Marilyn foi nomeada a "personalidade feminina favorita de todo cinema mundial", provando mais uma vez que era mundialmente adorada.
Seu fim aconteceu na manhã do dia 5 de agosto de 1962. Aos 36 anos, Marilyn faleceu enquanto dormia em sua casa em Brentwood, na Califórnia. A notícia foi um choque, propagado pela mídia, explorando sobretudo o caráter misterioso em que o fato se deu, prevalecendo a versão oficial de overdose pela ingestão de barbitúricos. O brilho e a beleza de Marilyn faziam parecer impossível que ela tivesse deixado a todos. Ninguém sabe de fato o que aconteceu naquela noite. Ouviu-se o barulho de um helicóptero. Uma ambulância foi vista esperando fora da casa dela antes que a empregada desse o alarme. As gravações de seus telefonemas e outras evidências desapareceram. O relatório da autópsia foi perdido. Toda a documentação do FBI sobre sua morte foi suprimida e os amigos de Marilyn que tentaram investigar o que acontecera receberam ameaças de morte. No dia 8 de agosto de 1962, o corpo de Marilyn foi velado no Corridor of Memories, nº 24, no Westwood Memorial Park em Los Angeles.
Durante sua carreira, Marilyn atuou em 30 filmes e deixou por terminar "Some things Got to Give". Seu nome representa ainda hoje mais que uma estrela de cinema e rainha do glamour, sendo para muitos um ícone, sinônimo de beleza e sensualidade.
Marilyn Monroe personificou o glamour de Hollywood com incomparável brilho e energia que encantaram o mundo.
Uma gravação caseira e inédita de Marilyn Monroe durante a rodagem do filme Quanto mais quente melhor, de Billy Wilder, foi leiloada na Austrália, em Setembro de 2008, por 14.624 dólares. O filme foi rodado com uma câmara Super 8, dura dois minutos e mostra a atriz a contracenar com Tony Curtis e Jack Lemmon.

 

NATALIE WOOD

 

 

Natalie Wood, cujo nome de nascimento era Natalia Nikolaevna Zakharenko, depois mudado para Natasha Nikolaevna Gurdin, (São Francisco, 20 de julho de 1938 — Ilha de Santa Catalina, California, 29 de novembro de 1981) foi uma atriz estadunidense.
Seus pais eram russos emigrados, que mal falavam inglês e que trocaram o sobrenome para Gurdin depois da obtenção da cidadania norte-americana.
Foi casada duas vezes com o ator Robert Wagner, de 1957 a 1962 e de 1972 (com quem teve seu segundo filho) até sua morte. E com o ator Richard Gregson, de 1969 a 1971 (com quem teve seu primeiro filho).
Natalie passou a ter medo de morrer afogada depois de sobreviver a um afogamento, durante as filmagens de "The Green Promise", quando era criança. Ela dizia em entrevistas que amava ficar envolta em água, mas não dentro dela. Ironicamente, o seu maior temor foi a causa de sua morte, em circunstâncias nunca esclarecidas.
Natalie não sabia nadar, ela deixara o iate do marido, numa noite chuvosa, pegara um pequeno bote de borracha e se metera na escuridão da noite, após uma violenta discussão com Wagner e o ator Christopher Walken, com quem estava filmando "Brainstorm". Ela estava tendo um romance com o ator, e o marido, envolvido com a produção do seriado "As Panteras" e a participação no seriado "Casal 20", demorou a descobrir. Estranhamente Bob convidou-o a passar um fim de semana com o casal em seu iate "Splendour". Na noite da morte eles haviam consumido fartas quantidades de bebida alcóolica. Há fortes indícios de que Natalie tenha se suicidado.
Em 1943, Natalie participou do primeiro filme, chamado "Happy Land", quando tinha apenas quatro anos de idade. Três anos depois, ela apareceu em seu segundo filme, chamado "Tomorrow Is Forever". Em 1947 filmou "Milagre na Rua 34", filme considerado até hoje um clássico natalino. Como atriz infantil, Natalie permaneceu muito ativa, aparecendo em nada menos do que 18 filmes, do final dos anos 40 ao início dos anos 50.
Nem todos os filmes em que ela participou fizeram sucesso. Pelo menos dois, "Scudda Hoo! Scudda Hay!", de 1948, e "The Silver Chalice", de 1954, e onde contracenou com Paul Newman, foram considerados fracassos.
Em 1955, com 17 anos, Natalie estrelou "Juventude transviada". O papel de Judy, neste filme, lhe garantiu a primeira indicação ao Oscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e este foi o momento que marcou o seu desenvolvimento como atriz adulta. Segundo Suzanne Finstad, autora de Natasha: The Biography of Natalie Wood, publicado em 2001 e logo adaptado para a televisão, Natalie Wood dormiu com o diretor do filme, Nicholas Ray, para conseguir o papel de protagonista. Ressalte-se que nessa época Wood era ainda menor de idade.
A seguir, apareceu em "Rastros de ódio" (1956), "Clamor do sexo" (1961) no qual foi novamente indicada ao Oscar, "Amor, sublime amor" (1961), "Gypsy" e "O preço de um prazer", mais uma vez indicada ao Oscar (ambos de 1963). Em 1965 participou da comédia clássica "A corrida do século".
Depois de filmar "Esta mulher é proibida" em 1966, Natalie se afastou do cinema por três anos, dando a si mesma um tempo e também para decidir para onde queria seguir. Quando voltou a filmar, em 1969, fez o papel de Carol Sanders em "Bob, Carol, Ted e Alice". A partir daí, Natalie não fez mais tantos filmes, preferindo passar a maior parte do tempo tomando conta da família. Fez algumas poucas aparições na televisão, nada muito excepcional.
Em 1981, depois de filmar "O último casal casado", Natalie começou as filmagens de "Projeto Brainstorm", com Christopher Walken. Mas ela não viveu para ver o filme pronto. Em um acidente misterioso, em novembro daquele ano, enquanto navegava em um iate com o marido Robert Wagner e com o amigo Christopher Walken, ela morreu afogada. Tinha 43 anos de idade e tinha atuado em 56 filmes para televisão e cinema. "Projeto Brainstorm" foi finalmente lançado em 1983.

 

 

 

DIRETORES

 

 

Orson Welles 
Uma das mais brilhantes personalidades da história do cinema, Orson Welles estreou na direção com Cidadão Kane, (1941), eleito repetidas vezes pelos críticos cinematográficos como um dos dez melhores filmes de todos os tempos. Entre seus trabalhos mais famosos como ator está O terceiro homem (1949), de Carol Reed, em que viveu um misterioso comerciante do mercado negro em Viena, depois da Segunda Guerra Mundial. A fotografia mostra Welles numa taverna da capital austríaca.

 

 

 

Francis F. Coppola

Coppola, Francis Ford (1939- ), roteirista, produtor e diretor cinematográfico norte-americano. Conhecido em todo o mundo, é um dos mais polêmicos cineastas contemporâneos.
Seu filme O poderoso chefão (1972) tornou-se um título clássico. Outros trabalhos importantes foram: A conversação (1973), O poderoso chefão 2 (1974), Apocalypse now (1978), Vidas sem rumo e O selvagem da motocicleta (1983), Cotton Club (1984), Peggy Sue, seu passado a espera (1988), Jardins de pedra (1987), O poderoso chefão 3 (1990), Drácula de Bram Stoker (1992) e O homem que fazia chover (1997). Em 1970, ganhou o Oscar de melhor roteirista por Platoon, rebelde ou herói.

 

 

 

Alfred Hitchcock

Hitchcock, Alfred, (1899-1980), inglês naturalizado norte-americano, diretor e produtor de cinema. Foi autor de brilhantes e engenhosos filmes, em sua maioria thrillers psicológicos. Mestre do suspense e um dos mais bem dotados artífices da história do cinema. De sua filmografia merecem destaque: Os 39 degraus (1935), Rebeca, a mulher inesquecível (1940), Quando fala o coração (1945), Interlúdio (1946), Festim diabólico (1948), Pacto sinistro (1951), Janela indiscreta (1954), O homem que sabia demais (1955), O homem errado (1957), Um corpo que cai (1958), Intriga internacional (1959), Psicose (1960) e Os pássaros (1963). 

 

 

WILLIAM WYLER

 

1970 - A libertação de L.B. Jones (Liberation of L.B. Jones, The)1968 - Funny girl - A garota genial (Funny girl)1966 - Como roubar um milhão de dólares (How to steal a million)1965 - O colecionador (Collector, The)1961 - Infâmia (Children's hour, The)1959 - Ben-Hur (Ben-Hur)1958 - Da terra nascem os homens (Big country, The)1956 - Sublime tentação (Friendly persuasion)1955 - Horas de desespero (Desperate hours, The)1953 - A princesa e o plebeu (Roman holiday)1952 - Perdição de amor (Carrie)1951 - Chaga de fogo (Detective story)1949 - Tarde demais (Heiress, The)1946 - Os melhores anos de nossas vidas (Best years of our lives, The)1945 - Thunderbolt1944 - Memphis Belle: A story of a flying fortress, The1942 - Rosa da esperança (Mrs. Miniver)1941 - Pérfida (Little foxes, The)1940 - A carta (Letter, The)1940 - O galante aventureiro (Westerner, The)1939 - O morro dos ventos uivantes (Wuthering Heights)1938 - Jezebel (Jezebel)1937 - Beco sem saída (Dead end)1936 - Meu filho é meu rival (Come and get it)1936 - Fogo de outono (Dodsworth)1936 - Infâmia (These three)1935 - Barbary coast1935 - Sua alteza, o garçom (Gay deception, The)1935 - A boa fada (Good fairy, The)1934 - Fascinação (Glamour)1933 - O conselheiro (Counsellor at war)1933 - Piloto de água doce (Her first mate)1932 - Cadetes de honra (Tom Brown of Culver)1931 - A casa da discórdia (A house divided)1930 - A invernada (Storm, The)1929 - Heróis do inferno (Hell's heroes)1929 - Love trap, The1929 - Shakedown, The1928 - Anybody here seen Kelly?1928 - Thunder riders1927 - Daze of the West1927 - Desert dust1927 - Border cavalier, The1927 - Horse trader, The1927 - Square shooter, The1927 - Phantom outlaw, The1927 - Gun justice1927 - Home trail, The1927 - Ore raiders, The1929 - Lone star, The1927 - Hard fists1927 - Haunted homestead, The1927 - Galloping justice1927 - Shooting straigh1927 - Blazing days1927 - Silent partner, The1927 - Tenderfoot courage1927 - Kelcy gets his man1927 - Two fister, The1926 - Stolen ranch, The1926 - Lazy lightning1926 - Martin of the Mounted1926 - Pinnacle rider, The1926 - Don't shoot
1926 - Fire barrier, The1926 - Ridin' for love1926 - Gunless bad man, The1925 - Crook Buster


PREMIAÇÕES
Ganhou o Prêmio Irving G. Thalberg em 1966, concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

- Recebeu 12 indicações ao Oscar de Melhor Diretor, por "Fogo de Ourono" (1936), "O Morro dos Ventos Uivantes" (1939), "A Carta" (1940), "Pérfida" (1941), "Rosa da Esperança" (1942), "Os Melhores Anos de Nossas Vidas" (1946), "Tarde Demais" (1949), "Chaga de Fogo" (1951), "A Princesa e o Plebeu" (1953), "Sublime Tentação" (1956), "Ben-Hur" (1959) e "O Colecionador" (1965). Venceu em 1942, 1946 e 1959.

- Recebeu 3 indicações ao Oscar de Melhor Filme, por "Tarde Demais" (1949), "A Princesa e o Plebeu" (1953) e "Sublime Tentação" (1956).

- Recebeu 3 indicações ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Diretor, por "Ben-Hur" (1959), "O Colecionador" (1965) e "Funny Girl - A Garota Genial" (1968). Venceu em 1959.

- Ganhou o BAFTA de Melhor Filme por "Ben-Hur" (1959), além de ter sido indicado por "Da Terra Nascem os Homens" (1958).

- Ganhou a Palma de Ouro, no Festival de Cannes, por "Sublime Tentação" (1956).

 

 

FRITZ LANG

 

Fritz Lang (1898-1976), diretor de cinema austríaco nacionalizado norte-americano. Em seus filmes deu particular atenção à narrativa e criou uma atmosfera peculiar mediante o uso de cenários e iluminação expressionistas e simbólicos, que reforçam a montagem. Entre suas obras merecem destaque Dr. Mabuse, o jogador (1922), O testamento do Dr. Mabuse (1933), Metropolis (1926), M, o vampiro de Dusseldorf (1931), Vive-se uma só vez (1937) e O diabo feito mulher (1952).

 

 

 

Spielberg

Spielberg, Steven (1947- ), cineasta norte-americano, responsável por alguns dos filmes de maior bilheteria da história do cinema. De sua filmografia se destacam: Tubarão (1975), Contatos imediatos do terceiro grau (1977), Os caçadores da arca perdida (1981), Indiana Jones e o templo da perdição (1984), Indiana Jones e a última cruzada (1989), E.T., o extraterrestre (1982), A cor púrpura (1985), A lista de Schindler (1994, Oscars de melhor filme e melhor diretor), O parque dos dinossauros (1993) e O resgate do soldado Ryan (1998).

 

 

 

ROMAN POLANSKI

Roman Polanski (1933- ), ator e diretor de cinema polonês. É conhecido por suas quase sempre polêmicas realizações. Entre seus filmes mais representativos destacam-se A faca na água (1962), Repulsa ao sexo (1965), Armadilha do destino (1966), A dança dos vampiros (1967), O bebê de Rosemary (1968), Chinatown (1974), Tess (1979), Lua de fel (1992) e A morte e a donzela (1994).Depois de sua terrível infância na mão dos nazistas, o diretor de cinema judeu polonês Roman Polanski realizou filmes tensos e de grande carga emocional, autênticos estudos psicológicos. Repulsa ao sexo (1965) e O bebê de Rosemary (1968) são seus melhores filmes. Sua esposa, Sharon Tate, foi assassinada em 1969 por Charles Manson.

 

 

 

Stanley Kubrick

Kubrick, Stanley (1928-1999), diretor de cinema norte-americano. Seus filmes se caracterizam por seu estilo documental, realista, e pelos detalhes vívidos e violentos. Entre eles destacam-se A morte passou por perto (1955), O grande golpe (1956), Glória feita de sangue (1957), Spartacus (1960), Doutor Fantástico (1964), 2001, uma odisséia no espaço (1968), Laranja mecânica (1971), O iluminado (1980) e Nascido para matar (1987).

Após dois anos de filmagens, conseguiu concluir seu último projeto, Eyes Wide Shut, que, estrelado por Nicole Kidman e Tom Cruise, foi lançado postumamente.

 

 

 

JOHN FORD

Ford, John (1895-1973), diretor norte-americano de cinema, de origem irlandesa. Conhecido pelo grande público sobretudo por seus westerns. Seus filmes se caracterizam por um realismo descomprometido, pela sutileza de sua análise psicológica e pelo tratamento sem subterfúgios de temas controvertidos. Entre eles destacam-se: Vinhas da ira (1940), Como era verde o meu vale (1941) e Depois do vendaval (1952), todos com o Oscar de melhor filme. Outros excelentes títulos são: O delator (1935), No tempo das diligências (1939), Ao rufar dos tambores (1939), Paixão dos fortes (1946), Rio Bravo (1950), Rastros de ódio (1956) e O homem que matou o facínora (1961).

 

 

 

Luchino Visconti

Visconti, Luchino (1906-1976), aristocrata diretor italiano de cinema, ópera, teatro e balé. Seus primeiros filmes se situam dentro do movimento neo-realista italiano. Destacam-se também seus dramas de época e suas adaptações literárias. De sua abundante filmografia sobressaem: Ossessione (1942), La terra trema (1948), Os deuses malditos (1968), Rocco e seus irmãos (1960), O leopardo (1963), Morte em Veneza (1971) e Violência e paixão (1974).

 

 

 

PASOLINI

Pasolini, Pier Paolo (1922-1975), diretor de cinema e escritor italiano. Seus primeiros filmes são exercícios de neo-realismo. Uma constante em sua obra é a mescla de elementos religiosos e profanos. Realizou, entre outros, Desajuste social (1961), Mamma Roma (1962), Teorema (1968), O Evangelho segundo são Mateus (1964), Decameron (1971) e As mil e uma noites (1974). Morreu assassinado em circunstâncias não esclarecidas.( assasinado por um garoto de programa)

Nem Fellini, nem De Sica e tampouco Michelangelo Antonioni. Jamais a a Itália foi mostrada no cinema em toda sua essência como na obra de Pier Paolo Pasolini (1922-1975). A afirmação pode parecer exagero, mas é a base da tese defendida por um dos mais importantes teóricos da cultura italiana na atualidade, o escritor e professor romano Alfonso Berardinelli, 59 anos.

O mito de Pasolini ainda vive hoje?

- Está muito vivo, mas é difícil de ser interpretado. Todos os jovens que entram em contato com sua obra, à exceção dos alienados pela TV, sentem um choque. A juventude ainda se pergunta como é possível usar o cinema da maneira como ele usou.

- Como esse mito é cultuado pelos jovens?

- De um lado há uma espécie de culto público oficial. Ele é político e acadêmico. Mas é um culto hipócrita. Do outro, há os espectadores jovens, que descobrem através de seu cinema e de sua literatura tudo que ele pretendia realizar.

- De que forma o cinema de Pasolini expressa a essência da cultura italiana?

- Não existiu, na segunda metade do século 20, nenhum intelectual mais apaixona-damente italiano do que Pasolini. Seu cinema interpretou magnificamente o espírito italiano, mais do que qualquer conterrâneo seu. A Itália de Fellini, por exemplo, é universal. A que Pasolini amava era rural. De olhos abertos para a realidade, ele usou o cinema como uma sonda para explorar questões daquela sociedade. Mostrou sua miséria e sua decadência, criticou a homogeneização de sua cultura e a destruição de valores religiosos provocada pela modernização burguesa.

- No cenário cultural italiano, a obra literária de Pasolini é considerada tão importante como o cinema que ele produziu?

- Pasolini apareceu como um dos mais importantes autores italianos por seu valor estético e crítico. E ainda é um dos nomes mais presentes, mais amados, mais odiados da literatura na Itália. Só que fora do país, ainda é exclusivamente um diretor. Não quero dramatizar, já que seus filmes são importantes, mas não há como negar que, acima de tudo, ele é um escritor. Sua obra cinematográfica sinaliza isso. Todos os diálogos, do personagem mais humilde ao mais intelectual, são extratos da mais pura literatura.

- Então a maior arma de Pasolini era a palavra?

- A principal arma de Pasolini era sua capacidade de usar contemporaneamente muitas armas. Era impossível delimitar um único ângulo em sua rota cultural. Antes de ser poeta ou cineasta, ele era um intelectual. Quando fazia filmes, criava grande impacto sobre o público. Ao mesmo tempo, fazia seus poemas. Sua maior qualidade era transitar por todos os meios de comunicação. Além de haver uma relação de osmose entre as artes com as quais se envolveu. Seu teatro era mais poesia que dramaturgia, já sua poesia era muito teatral.

- Diferentemente do que acontecia com outros cineastas italianos, mais preocupados com a forma, os filmes de Pasolini apresentam defeitos e imperfeições. Como esses deslizes, a maioria propositais, se inte-gram à proposta do diretor?

- Como diretor, Pasolini era um artista que deixava a impressão de não ter um controle amplo do meio cinematográfico. Às vezes, quando dirigia um jovem ator e este aparecia em cena sorrindo na hora errada, Pasolini não se sentia embaraçado. Não o repreendia. Ele não tinha a pretensão de alcançar uma imagem perfeita. Filmava uma vez e aquela era a cena que valia. Pasolini não era um dominador, como Stanley Kubrick ou Alfred Hitchcock. Queria registrar a realidade diante de seus olhos. Não queria que seus filmes fossem uma caricatura dessa realidade.

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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